Trump defende operações migratórias das críticas de separação de famílias

Por Leila MACOR
Esta imagem publicada pelo Serviço de Imgração e Controle de Alfândega (ICE) mostra agentes de investigação do Departamento de Segurança Interna dos EStados Unidos processando um suposto migrante em situação irregular, em 7 de agosto de 2019

O presidente Donald Trump defendeu nesta sexta-feira (9) as operações maciças que levaram à detenção de 680 pessoas sem documentos em sete fábricas de processamento de frango do sudeste dos Estados Unidos, ao afirmar que estas medidas funcionam como um dissuasivo contra a imigração ilegal.

"Quero que as pessoas saibam que, se vierem aos Estados Unidos ilegalmente, vão embora", disse Trump a jornalistas. "E isto serve como um dissuasivo".

"Quando as pessoas virem o que houve (na quarta-feira), vão saber que não vão ficar aqui", continuou em declarações na Casa Branca.

As operações de quarta-feira em seis cidades do Mississippi desataram duras críticas depois que a imprensa local divulgou imagens de crianças que ficaram sozinhas ao sair da escola, chorando e sem ter para onde ir, nem o que comer.

O procurador-geral do Mississippi, Mike Hurst, que chefiou as maiores operações executadas em um único estado na história do país, também se defendeu, assegurando que os agentes tinham se preocupado de que as crianças se reunissem com seus pais.

"Não temos conhecimento de que nenhuma criança neste momento esteja sem os pais como resultado da operação", escreveu na quinta-feira à noite no Twitter.

Já as fábricas de processamento de frango estavam com seu pessoal dramaticamente reduzido.

A Koch Foods, com receita de 3,2 bilhões de dólares segundo a Forbes, publicou em sua página no Facebook que celebrará na segunda-feira uma feira de trabalho para recrutar novos trabalhadores em Forest, a leste da capital, Jackson.

"Os solicitantes têm que fornecer duas formas de identificação válida ao aplicar", esclarece o texto.

Outra fábrica, a PH Food, não pôde abrir as portas nesta quinta-feira, reportou o jornal local Clarion Ledger. Entre 70 e 80 de seus 100 trabalhadores foram detidos na operação, explicou ao jornal o encarregado, identificando-se como Jun Lian.

A procuradoria havia informado que 300 dos detidos foram libertados, com tornozeleiras eletrônicas e ordens de se apresentar a um tribunal de migração para que um juiz decida se procede à deportação.

Também que 30 deles tinham sido libertados por razões humanitárias para que seus filhos não ficassem sozinhos.