Trump demite inspetor do Departamento de Estado que investigava secretário

Inspetor-geral Steve Linick, do Departamento de Estado dos EUA, deixa o Capitólio, em Washington, em 2 de outubro de 2019

O presidente dos EUA, Donald Trump, demitiu na noite de sexta-feira (16) um inspetor do governo que investigava o secretário de Estado, Mike Pompeo - informou um congressista democrata.

O Departamento de Estado confirmou a informação do inspetor-geral Steve Linick sem declarar o motivo da demissão.

O presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara de Representantes (Deputados), democrata Eliot Engel, disse que Linick havia aberto uma investigação sobre Pompeo.

"O fato de Linick ter sido demitido no meio de uma investigação desse tipo sugere fortemente que esse é um ato ilegal de retaliação", acrescentou o congressista.

Engel, juntamente com o senador democrata Bob Menendez, anunciou que os democratas no Congresso americano lançaram uma investigação neste sábado sobre a demissão do inspetor.

Citando um alto funcionário do Departamento de Estado, a emissora de televisão CNN informou que o próprio Pompeo recomendou a destituição do inspetor. Ele também teria escolhido pessoalmente o substituto.

Um assessor democrata no Congresso declarou, sob anonimato, que Linick estava investigando acusações de que Pompeo abusou de uma pessoa nomeada pelo poder político para realizar tarefas pessoais para ele e sua esposa.

Mike Pompeo viaja com frequência no avião do governo junto com sua mulher, Susan, o que gera controvérsia, já que ela não tem posição oficial.

No ano passado, a CNN informou que um denunciante havia apresentado uma queixa. Segundo esta fonte, foi detectado que membros da segurança diplomática estavam sendo encarregados de tarefas como cuidar do cachorro da família Pompeo, ou assumir a função de entregadores de comida.

A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, afirmou que o investigador demitido foi "punido por ter cumprido honradamente seu dever de proteger a Constituição" e a "segurança nacional".

"O presidente deve terminar com seu padrão de represálias aos funcionários públicos que trabalham para manter a segurança dos americanos, em particular durante este tempo de emergência global", acrescentou Pelosi.

Promotor de longa data, Linick foi nomeado em 2013 pelo antecessor de Trump, Barack Obama, para supervisionar o uso dos US$ 70 bilhões da diplomacia americana.

Um porta-voz do Departamento de Estado informou que o novo inspetor-geral será Stephen Akard, ex-assistente do vice-presidente Mike Pence.

Desde o ano passado, Akard chefia o Escritório de Missões Estrangeiras do Departamento de Estado, responsável pelas relações com diplomatas nos Estados Unidos.