Ministra do Interior do Reino Unido renuncia após polêmica sobre imigração

Londres, 29 abr (EFE).- A ministra do Interior do Reino Unido, Amber Rudd, anunciou neste domingo sua renúncia após vários dias de polêmica sobre o estabelecimento de metas anuais para a deportação de imigrantes ilegais.

A oposição tinha pedido a saída de Amber nos últimos dias após a publicação nos veículos de imprensa britânicos de documentos que indicam que a ministra tinha conhecimento dessas metas, apesar de ter negado em uma comissão parlamentar.

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, "aceitou nesta noite a renúncia", informou um porta-voz de Downing Street, escritório oficial da chefe de Governo.

Uma carta enviada por Amber a May em janeiro de 2017, revelada hoje pelo jornal "The Guardian", indica que a até agora ministra traçou como objetivo "aumentar a quantidade de deportações em mais de 10% durante os próximos anos".

Na última quarta-feira, na comissão de Interior da Câmara dos Comuns, Amber afirmou que seu Ministério não tem metas para a deportação de imigrantes.

Posteriormente, a ministra admitiu que foram estabelecidos objetivos quantitativos de uso "interno", mas disse que não aprovou essas medidas e que "nunca apoiaria uma política que colocasse cotas sobre pessoas".

A polêmica surgiu quando a imprensa britânica publicou que o Ministério do Interior começou a aplicar metas de deportações quando era dirigido por May, que antecedeu Amber no cargo.

Diane Abbott, porta-voz de Interior do Partido Trabalhista, pediu na quinta-feira no Parlamento a renúncia de Amber por "uma questão de honra".

A deputada da oposição afirmou que a ministra não poderia continuar no cargo "a não ser que ela só esteja lá como escudo humano de May".

Após saber a notícia da renúncia, o "número dois" trabalhista, Tom Watson, disse que Amber "está pagando o pato pela pessoa originalmente responsável pelo escândalo, Theresa May".

O governo de May estava há vários dias envolvido no escândalo sobre a chamada "geração Windrush", milhares de pessoas que chegaram ao Reino Unido entre 1948 e 1973 procedentes de países caribenhos, que nos últimos anos passaram a ser imigrantes ilegais, apesar de residirem no país há décadas.

Um endurecimento da lei promulgada por May quando estava à frente do Ministério do Interior fez com que essas pessoas tivessem que provar com documentos originais todos os anos que viveram no Reino Unido, um trâmite burocrático que alguns deles não conseguiram cumprir.

Por conta dessa situação, alguns deles perderam seus empregos, acesso à saúde, receberam ameaças de deportação e não puderam retornar ao Reino Unido após visitarem seus países de origem. EFE