Trump e admiradores de Bolsonaro pesam nas decisões de Brasil sobre Venezuela

Janaína Figueiredo

Um mês depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter dito que pretendia "esmagar a Venezuela", o governo do presidente Jair Bolsonaro confirmou oficialmente sua decisão de retirar todos os diplomatas brasileiros da embaixada e consulado em Caracas. Por que agora? É uma das perguntas que não querem calar, e a insistência em ratificar um alinhamento incondional com os EUA de Trump, que ainda não rendeu grandes frutos ao Brasil, parece ser uma das respostas.

Para Bolsonaro, que no ano passado visitou países com governos autocráticos como China e Arábia Saudita, a Venezuela de Nicolás Maduro é uma ditadura e deve ser tratada como tal. Até agora, o governo brasileiro optara por manter seus representantes diplomáticos na capital venezuelana, mas o diálogo com o Palácio de Miraflores é nulo há muito tempo. Sua saída é o reconhecimento de uma ruptura que, na prática, existe desde que o Palácio do Planalto reconheceu a "Presidência Encarregada" de Juan Guaidó, para Trump "o verdadeiro presidente legítimo da Venezuela".

O novo chefe de Estado do Uruguai, o centro-direitista Luis Lacalle Pou, reconhece Guaidó como presidente da Assembleia Nacional (AN), mas não do país. Maduro não foi convidado para a posse de 1º de março passado, mas Guaidó também não. A decisão teve um tom de questionamento, mas sem chutar o balde.

No caso brasileiro houve atitudes erráticas, como existem na política externa em geral. O reconhecimento oficial da embaixadora de Guaidó em Brasília, professora Maria Teresa Belandria, teve idas e vindas. Houve pressões contra e eventos cancelados e posteriormente reconfirmados. Agora, a decisão parece ser seguir à risca o discurso de Trump. Até onde? É uma incógnita. Por tradição histórica, o limite do Brasil é uma intervenção militar.

Uma coisa está clara. Em relação à Venezuela, dois elementos pesam nas decisões de Bolsonaro: as posições de Trump e o que espera do presidente seu público interno de admiradores.