Trump e Biden travam disputa acirrada nos EUA

Alina DIESTE y Ariela NAVARRO, con Leila MACOR en Miami, Javier TOVAR en Los Angeles y Peter HUTCHISON en Wilmington
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Eleitores observam os resultados das eleições diante da Casa Branca

Trump e Biden travam disputa acirrada nos EUA

Eleitores observam os resultados das eleições diante da Casa Branca

O presidente Donald Trump e o rival democrata travam uma batalha na madrugada desta quarta-feira na disputa pela Casa Branca, em eleições de grande suspense quando faltam os resultados de alguns estados cruciais.

Em uma votação marcada pela polarização uma histórica crise de saúde, econômica e social, o presidente republicano acusou o oponente de tentar "roubar" a votação, sem nenhuma evidência que apoie a declaração e enquanto prossegue a apuração.

"Estamos muito à frente, mas eles tentam roubar a eleição. Nunca vamos deixá-los fazer isso", escreveu Trump em um tuíte que foi imediatamente marcado como "enganoso" pelo Twitter.

Pouco antes, em sua casa em Wilmington, Delaware, Biden afirmou que está "no caminho" para conquistar a vitória.

"Mantenham a fé, vamos vencer", prometeu o ex-vice-presidente de Barack Obama para os simpatizantes reunidos dentro de seus automóveis. "Isto não acaba até que cada voto seja contado".

E, pedindo paciência a respeito dos resultados, completou: "Temos confiança no Arizona", um estado crucial que, segundo o prognóstico do canal Fox News, deve ser vencido pelos democratas.

- 224 a 213 -

Segundo as projeções dos principais meios de comunicação, Trump venceu na Flórida e Iowa, onde triunfou em 2016; em Ohio, onde venceram desde 1964 todos os candidatos que chegaram à Casa Branca; e no Texas, um reduto republicano desde 1976.

Como aconteceu há quatro anos com Hillary Clinton, Biden pode vencer no voto popular e perder na Casa Branca se não conseguir os 270 votos necessários no Colégio Eleitoral, de um total de 538, em um sistema de sufrágio universal indireto.

Até o momento, Biden acumula 223 votos no Colégio Eleitoral, contra 213 de Trump.

Tudo indica que o resultado ficará condicionado aos estados do Meio Oeste: Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, onde a apuração pode continuar nas próximas horas. 

A Carolina do Norte também poderia mudar o curso das eleições.

"Se Trump vencer na Flórida, Carolina do Norte e Ohio, mas Biden no Arizona, Biden é favorito em 85% de nosso modelo. Mas há 6% de possibilidades de empate no Colégio Eleitoral", tuitou o site especializado FiveThirtyEight.

Com um recorde mais de 100 milhões de votos antecipados, os resultados finais podem demorar muitas horas, ou até dias.

- Confiantes - 

Em meio a uma pandemia que matou mais de 231.000 americanos, os democratas sonham em pintar de azul o mapa vermelho de 2016. 

Como era de esperar, os dois septuagenários venceram os estados que já contavam em triunfar: Alabama, Arkansas, Indiana, Kentucky e Tennessee, entre outros, foram conquistados por Trump, enquanto Biden levou a maioria dos votos em Illinois, Virginia, Nova York, Colorado, Delaware e na capital federal Washington.

Trump, de 74 anos e primeiro presidente que tenta a reeleição após ser absolvido em um julgamento político, se mostrou confiante em derrotar Biden, de 77 anos.

"ESTAMOS MUITO BEM EM TODO O PAÍS. OBRIGADO!", tuitou da Casa Branca.  

Mais cedo, ele garantiu não estar pensando em um discurso de concessão ou aceitação. 

"Vencer é fácil. Perder nunca é fácil, pelo menos para mim não é", disse em Arlington, Virgínia. 

Mais cedo, minimizou afirmações de que planejava se declarar vencedor antes do fim da apuração. 

"Não há motivos para brincadeiras", disse à Fox News.  

Biden se declarou "supersticioso" para antecipar o resultado, mas destacou a grande participação, em particular dos jovens e mulheres, afro-americano" como algo promissor.

Considerado senil por Trump, Biden teve uma série de lapsos na terça-feira durante encontros com os eleitores: confundiu uma neta por outra e citou equivocadamente seu filho falecido Beau.

Além da presidência e vice-presidência, os americanos escolheram os 435 integrantes da Câmara de Representantes, onde os democratas conservaram a maioria. 

Também estava em disputa um terço do Senado, onde os republicanos podem perder a vantagem de 53-47.

No momento, os republicanos celebram a vitória do aliado de Trump Mitch McConnell, líder da maioria republicana reeleito por Kentucky, segundo as projeções.

De acordo com uma pesquisa da consultoria Latino Decisions, Biden venceu Trump entre os eleitores latinos de todo o país por 43 pontos.

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