Trump e Israel podem mediar ajuda de governo Bolsonaro à Argentina com FMI

Janaína Figueiredo  

Estados Unidos e Israel poderiam eventualmente fazer uma mediação entre os governos do Brasil e da Argentina e ajudar o chanceler Felipe Solá a conseguir o que veio buscar em sua primeira visita a Brasília. Há um profundo debate no governo Jair Bolsonaro sobre o que fazer em relação à Casa Rosada. A ala mais dura, liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, quer distância. Os mais conciliadores, entre eles o chanceler Ernesto Araújo, defendem uma boa relação com o principal sócio do Brasil na região e estariam a favor de um respaldo aos argentinos no Fundo Monetário Internacional (FMI), que ajudaria, também, na negociação com credores privados.

Na recente visita do presidente Alberto Fernández a Israel, o encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi, segundo assessores do chanceler argentino, “surpreendentemente positivo”. Numa conversa bilateral, Netanyahu, forte aliado do Brasil de Bolsonaro e dos Estados Unidos de Donald Trump, revelou sua decepção com o governo do ex-presidente argentino Mauricio Macri e se dispôs a ajudar Fernández. A morte do promotor argentino Alberto Nisman, em janeiro de 2015, dias após ter denunciado a então presidente Cristina Kirchner por ter selado um acordo com o Irã para acobertar ex-funcionários iranianos acusados de envolvimento no atentado à Associação Mutual Israelense (AMIA), em 1994, não foi mencionada. Claro sinal de que Israel quer recompor sua relação com o país.

Em mensagens nas redes sociais, o presidente americano expressou seu desejo de colaborar com o governo argentino e já recebeu na Casa Branca o novo embaixador do país, Jorge Arguello. Segundo fontes argentinas, o relacionamento está no nível da cordialidade e melhorou bastante desde que o governo Fernández endureceu suas críticas ao venezuelano Nicolás Maduro. A concessão de refúgio a Evo Morales ainda está engasgada.