Trump faz sua primeira aparição oficial desde que perdeu as eleições

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é visto em televisão na Ala Oeste da Casa Branca, em 10 de novembro de 2020
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é visto em televisão na Ala Oeste da Casa Branca, em 10 de novembro de 2020

Em sua primeira aparição oficial pós-eleitoral, o presidente americano, Donald Trump, compareceu nesta quarta-feira (11) ao Cemitério Nacional de Arlington, em um dia de união nacional para marcar o Dia dos Veteranos, em meio a sua recusa em reconhecer a vitória de Joe Biden.

Em cerimônia ocorrida debaixo de chuva, no estado da Virgínia, o presidente optou por não fazer nenhuma declaração à imprensa.

Em comunicado escrito previamente, declarou: "Desfrutamos dos privilégios de paz, prosperidade e liberdade graças aos nossos veteranos, e estaremos sempre em dívida com eles de forma incalculável".

Por sua vez, o democrata Joe Biden marcou presença no memorial da Guerra da Coreia localizado na Filadélfia, Pensilvânia. Também por meio de um comunicado, o líder democrata recordou a dívida do povo americano com suas forças armadas.

A "única obrigação verdadeiramente sagrada" da nação, afirmou o presidente eleito, é "preparar e equipar as tropas que enviamos para o perigo e cuidar delas e de suas famílias quando voltarem para casa", ressaltou Biden.

A cerimônia em homenagem aos veteranos ocorre quatro dias depois de a mídia americana ter declarado, com base em projeções de resultados oficiais, que seu rival democrata será o próximo inquilino da Casa Branca.

Desde então, Trump falou à nação apenas por meio do Twitter e não aceitou sua derrota para Biden, como ocorre tradicionalmente nos Estados Unidos quando se projeta um vencedor em uma eleição.

E, em meio a números recordes de casos da covid-19 em todo país, e com os estados impondo novas restrições para prevenir a propagação do vírus antes do inverno, Trump parece ter deixado de lado as funções presidenciais usuais.

Em vez disso, o republicano permaneceu trancado na mansão presidencial, argumentando que será o vencedor e abrindo processos que têm como principal alegação eventos de fraude eleitoral. A justificativa usada por Trump permanece frágil.

No início da quarta-feira, ele tuitou novas alegações não comprovadas sobre vitórias e fraudes eleitorais, apesar do consenso de observadores internacionais, de líderes mundiais, das autoridades eleitorais locais e da mídia americana de que o processo eleitoral de 3 de novembro ocorreu de forma transparente, e que não há alegações críveis de fraude.

Trump disse que uma pesquisa "possivelmente ilegal" pouco antes do dia da eleição o mostrava 17 pontos atrás de Biden em Wisconsin, quando, segundo ele, a corrida estava empatada e, agora, ele estava no caminho da vitória.

"Muitos desses casos 'deploráveis'!", ressaltou no Twitter.

Biden foi declarado o vencedor em Wisconsin.

Alguns republicanos estão aderindo aos apelos crescentes para que o presidente assuma sua derrota. Especialistas alertam que sua recusa prejudica o processo democrático e atrasa a transição para um governo Biden, cuja posse está marcada para 20 de janeiro de 2021.

Entre eles, está o secretário de Estado republicano de Montana, Corey Stapleton, que destacou as "coisas incríveis" que Trump realizou durante seu governo.

"Mas esse tempo acabou. Tire o chapéu, morda o lábio e parabenize @JoeBiden", tuitou.

Ainda assim, algumas das figuras mais poderosas do Partido Republicano, incluindo o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o líder do Senado, Mitch McConnell, parecem estar apoiando Trump em sua tentativa de minar a vitória de Biden.

"Haverá uma transição suave para um segundo governo Trump", disse Pompeo na terça-feira durante uma entrevista coletiva por alguns momentos tensa.

Já McConnell declarou que o presidente está "100% dentro de seus direitos" de contestar a eleição na Justiça.

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