Trump faz o último esforço para contrariar as pesquisas a um dia das eleições

Jerome CARTILLIER
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Seguidores de Donald Trump e Joe Biden, fotografados em várias cidades dos Estados Unidos entre 29 e 31 de outubro de 2020
Seguidores de Donald Trump e Joe Biden, fotografados em várias cidades dos Estados Unidos entre 29 e 31 de outubro de 2020

Na véspera das eleições presidenciais nos Estados Unidos, Donald Trump faz nesta segunda-feira o esforço final com a esperança de contrariar as pesquisas, que apontam seu rival democrata, Joe Biden, como o favorito. 

Apesar das pesquisas, o presidente de 74 anos prevê uma "onda" republicana em um país polarizado e muito afetado pela pandemia de covid-19. 

"Vamos ganhar mais quatro anos em nossa magnífica Casa Branca", afirmou no domingo em um comício na Carolina do Norte.

Trump luta para não ser o primeiro presidente em mais de 25 anos a não conquistar um segundo mandato. No último dia de campanha, ele terá cinco eventos em quatro estados: Carolina do Norte, Pensilvânia, Michigan e Wisconsin. 

O último ato de campanha acontecerá em Grand Rapids (Michigan), como em 2016, quando conquistou uma vitória que surpreendem o mundo. 

Biden, 77 anos, se concentra na Pensilvânia, onde espera triunfar para conquistar a presidência.  

"Mais dois dias! Em dois dias podemos acabar com esta presidência que desde o início tentou nos dividir", afirmou o democrata no domingo em um comício na Filadélfia. 

"Da última vez (em 2016), Donald Trump venceu na Pensilvânia com uma vantagem de apenas 44.000 votos de mais de 6 milhões de votos", recordou. "Cada voto conta", disse.

- Preocupação com a noite eleitoral -

Um mês depois de sua infecção pelo coronavírus, o presidente americano não dá mostras de cansaço e percorre o país há mais de uma semana, com pouco tempo em Washington. 

Diante da forte polarização do país, alguns temem que os partidários dos dois candidatos ocupem as ruas caso os resultados demorem a ser divulgados. 

Trump negou no domingo que pretenda declarar-se vencedor caso os resultados sejam incertos, uma possibilidade especulada pelos meios de comunicação. 

"Quando as eleições terminarem, nossos advogados estarão preparados", completou, no entanto, ao sugerir a possibilidade uma longa batalha judicial em caso de resultados acirrados.

"Minha resposta é que o presidente não vai roubar estas eleições", disse Biden. 

De acordo com o jornal New York Times, Trump deseja celebrar uma noite eleitoral nos salões da Casa Branca e planeja receber até 400 convidados. 

Na terça-feira à noite, Biden discursará à nação de seu reduto em Wilmington, no estado de Delaware. 

- A recordação de 2016 -

As pesquisas apontam a vantagem do democrata. Uma pesquisa do New York Times e do Siena College publicada no domingo mostra Biden à frente de Trump na Pensilvânia, Arizona, Flórida e Wisconsin, quatro estados decisivos em que o presidente venceu há quatro anos. 

Mas os analistas pedem cautela, recordando as eleições de 2016, quando Trump conseguiu uma das maiores surpresas da história política americana ao derrotar Hillary Clinton. 

O ambiente da noite eleitoral dependerá em grande medida da ordem de anúncio dos resultados nos estados chaves. 

Uma vitória de Biden na Flórida, onde os resultados podem ser anunciados de maneira rápida, talvez acabasse com o suspense. As pesquisa apontam uma pequena diferença entre os dois candidatos no estado. 

Mais de 93 milhões de americanos votaram de maneira antecipada para evitar aglomerações na terça-feira, em plena pandemia, o que permite antecipar uma taxa de participação recorde. 

No sistema americano, o presidente não é eleito pelo voto popular de todo o país, e sim pelos chamados 'grandes eleitores' de cada estado. 

Em 2016, Trump recebeu quase três milhões de votos a menos que Hillary Clinton, mas conquistou a maioria no Colégio Eleitoral. 

O ex-presidente democrata Barack Obama, muito envolvido na reta final da campanha, visitará nesta segunda-feira Atlanta, na Geórgia, e Miami, na Flórida, para apoiar a candidatura daquele que foi seu vice-presidente durante oito anos. 

Obama pediu nas últimas semanas para que as pessoas não repitam o que chamou de erros de 2016. "Muitas pessoas ficaram em casa, foram preguiçosas e complacentes. Desta vez não! Não nestas eleições", afirmou em um comício. 

jca/ybl/gma/fp