Trump guardou documentos que podiam comprometer inteligência dos EUA, mostra mandado

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Após mais de duas semanas de queda de braço com o ex-presidente dos EUA Donald Trump, o Departamento de Justiça divulgou nesta sexta-feira (26) o mandado de busca da operação que apreendeu documentos na casa do republicano no último dia 8, investida inédita contra um ex-presidente do país.

O documento explicita as razões pelas quais foi preciso mandar a polícia à casa do republicano, em um gesto que acirrou os ânimos no país, com direito a atentados de apoiadores do republicano contra agentes de segurança.

De acordo com o material divulgado nesta sexta-feira, entre 16 e 18 de maio, antes da operação feita em agosto, agentes do FBI, a polícia federal americana, analisaram caxas entregues pelo ex-presidente ao Arquivo Nacional, após insistência do órgão depois de um ano que o republicano deixou a presidência, e encontraram 184 documentos, 64 deles marcados como confidenciais, 92 marcados como secretos e 25 marcados como ultrassecretos -uma série deles tem anotações do ex-presidente.

Segundo o mandado, um acesso não autorizado a esse material poderia "resultar em dano à segurança nacional". Havia documentos apontando "fontes humanas clandestinas", que podem descrever operações, técnicas e procedimentos de agentes de inteligência no exterior, por exemplo.

O mandado autoriza agentes de segurança a apreender "todos os documentos e registros que constituam evidência, contrabando, frutos de crimes ou outros itens possuídos de forma ilegal". Entre os possíveis crimes pelos quais o republicano é investigado, estão violações na lei de espionagem, além de obstrução de justiça e destruição de documentos oficiais.

Com 38 páginas, o documento divulgado tem uma série de passagens inteiras cobertas com uma tarja, sob a justificativa de "proteger a segurança e a privacidade de um número significativo de testemunhas civis, além de agentes de segurança, bem como proteger a integridade da investigação em curso."

Havia resistência no Departamento de Justiça, órgão ao qual é subordinado o FBI, que executou a operação, em trazer à luz o mandado, sob o argumento de que atrapalharia as investigações em andamento. Uma série de empresas de jornalismo, como o New York Times e o Washington Post, também entraram na disputa e moveram ações judiciais pedindo a liberação do material, sob o argumento que o interesse público se sobrepõe a outros motivos para o sigilo.

O Departamento de Justiça do país tem avançado contra Trump também em outras frentes, além da busca por documentos supostamente confiscados. O órgão tem ouvido pessoas próximas ao republicano como testemunhas em investigação sobre o envolvimento do ex-presidente no ataque ao Congresso em 6 de janeiro de 2021.

Na ocasião, uma turba de apoiadores insuflada pelo político invadiu o prédio do Capitólio buscando interromper a sessão de certificação da vitória de Joe Biden nas eleições. Trump alegava -e continua a fazê-lo hoje- que o pleito teria sido fraudado; a Justiça americana nunca encontrou nenhuma evidência de que isso pode ter ocorrido.