Trump irá assinar decreto revogando políticas climáticas da era Obama

Por Valerie Volcovici e Timothy Gardner
Presidente dos EUA, Donald Trump, assina documento na Casa Branca 27/03/2017 REUTERS/Carlos Barria

Por Valerie Volcovici e Timothy Gardner

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, irá assinar nesta terça-feira um decreto que revoga uma série de regulações contra a mudança climática adotadas por seu antecessor, Barack Obama, uma medida concebida para fortalecer a geração de energia doméstica e criar empregos, mas ambientalistas dizem que o decreto é perigoso e prometeram combatê-lo nos tribunais.

O principal alvo do decreto é o Plano de Energia Limpa de Obama, que exige que os Estados eliminem as emissões de carbono das usinas de energia --um elemento crítico para ajudar os EUA a cumprirem seus compromissos com um acordo climático global firmado por quase 200 países em Paris em dezembro de 2015.

    O decreto também irá rescindir uma proibição à exploração de carvão em terras federais, reverter regras para a contenção de emissões de gás metano resultantes da produção de gás e petróleo e reduzir o peso da mudança climática nas avaliações federais de novas regulações.

    Trump vinha assinalando as mudanças há tempos, e afirmou que reverter a regulação ecológica irá alavancar a produção de gás, petróleo e carvão e gerar milhares de empregos, tudo sem prejudicar a qualidade do ar e da água do país.

    "Iremos seguir em uma direção diferente", disse uma autoridade de alto escalão da Casa Branca aos repórteres antes do decreto desta terça-feira. "O governo anterior desvalorizou os trabalhadores com suas políticas. Podemos proteger o meio ambiente e também proporcionar trabalho às pessoas."

    Analistas e executivos do setor energético questionaram se as medidas terão um grande efeito em suas indústrias, e ambientalistas as classificaram como negligentes.

    "Não sei dizer a vocês quantos empregos o decreto presidencial irá criar, mas posso dizer a vocês que ele proporciona confiança no compromisso deste governo com a indústria do carvão", disse o presidente da Associação de Carvão do Kentucky, Tyler White, à Reuters.

    Trump irá assinar a medida na Agência de Proteção Ambiental ao lado de seu diretor, Scott Pruitt, o secretário do Interior, Ryan Zinke, e o secretário de Energia, Rick Perry, na tarde desta terça-feira.

    Abrangente, o decreto é o mais ousado da iniciativa mais ampla de Trump de reduzir a regulação ambiental para ressuscitar as indústrias de perfuração e mineração, uma promessa que ele reiterou durante a campanha presidencial.

    Grupos ambientalistas, porém, repudiaram o decreto presidencial.

    "Estas ações são uma agressão aos valores americanos e ameaçam a saúde, a segurança e a prosperidade de cada americano", disse o ativista ambientalista bilionário Tom Steyer, diretor do grupo NextGen Climate.