Trump mantém silêncio sobre sua derrota e Biden avança rumo à Casa Branca

Elodie CUZIN
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Donald Trump e Joe Biden no último debate presidencial, em 22 de outubro de 2020

Dois dias depois do sinal verde a Joe Biden para a transferência do poder, o presidente Donald Trump se recusava a admitir abertamente nesta quarta-feira (25) sua derrota, e mudanças de última hora alimentam a imagem de um fim caótico do seu mandato.

Um a um, os estados-chave das eleições americanas certificaram seus resultados a favor do ex-vice-presidente democrata. Uma a uma, as ações judiciais da equipe de Trump fracassam, às vezes impacientemente rejeitadas pelos juízes por falta de mérito. No entanto, Trump não cede.

Biden foi declarado o vencedor das eleições presidenciais dos EUA em 7 de novembro. No entanto, o presidente em final de mandato se recusa a admitir publicamente que perdeu e terá que deixar a Casa Branca em 20 de janeiro.

Não havia nada na agenda oficial de Trump nesta quarta-feira, mas nos bastidores era preparada uma viagem à Pensilvânia, um estado-chave para a vitória de Biden, que confirmou os resultados da votação a favor do democrata na terça-feira.

O presidente republicano se encontraria com seu advogado Rudy Giuliani em Gettysburg para uma comissão do Senado deste estado sobre supostos "problemas" durante a votação em 3 de novembro, de acordo com vários meios de comunicação americanos.

Nenhuma fraude maciça foi comprovada durante as eleições presidenciais americanas. Em sua "luta" contra o resultado oficial, Trump aparece cada vez mais isolado, tanto nas fileiras de seu Partido Republicano, quanto entre as grandes vozes da mídia conservadora.

Quando o presidente estava prestes a viajar, os jornalistas que o acompanhavam foram informados de que a viagem havia sido cancelada. Na ausência de informações, houve muita especulação sobre a que teria sido a primeira grande saída de Trump de Washington desde as eleições. Alguns até mencionaram um anúncio de sua candidatura para a eleição presidencial de 2024.

Biden, por sua vez, avança rumo à transição para a posse em 20 de janeiro e deve fazer um discurso nesta quarta-feira antes do fim de semana prolongado do Dia de Ação de Graças, para dizer aos americanos: "Sairemos juntos da crise atual", de acordo com sua agenda.

- Sessões de Inteligência -

Apesar de se recusar a reconhecer abertamente que perdeu, Trump autorizou a abertura do processo de transferência de poder previsto por lei na noite de segunda-feira. E ainda que o presidente que está saindo e o que está chegando ainda precisem conversar, Biden se encaminha para o Salão Oval.

O sinal verde do governo Trump permitiu que a equipe de Biden começasse a receber informações em primeira mão do governo anterior.

Isso é crucial para permitir que o democrata organize sua chegada à Casa Branca sem muitos contratempos, já que o país enfrenta várias crises: a pandemia da covid-19, que deixou mais de 260.000 mortos no país e devastou a economia, mas também um movimento histórico contra o racismo.

As primeiras reuniões sobre a covid-19 acontecem nesta quarta-feira, segundo a equipe de Biden. E o presidente eleito deve finalmente ter acesso a informações confidenciais de Inteligência na segunda-feira.

É costume nos Estados Unidos que o futuro presidente esteja ciente dessas reuniões informativas logo após o anúncio de sua vitória. Mas Trump havia bloqueado o acesso, apesar da vitória do democrata anunciada há mais de duas semanas.

"Não chegaremos tão atrasados quanto pensamos", afirmou Biden à NBC na terça-feira, observando que ainda tem dois meses para se preparar.

- Equipe econômica -

"Os Estados Unidos estão de volta" ao cenário mundial, anunciou Biden na terça-feira, apresentando os primeiros grandes nomes do seu futuro governo.

Entre eles está Antony Blinken, um ex-alto funcionário do governo Barack Obama, do qual Biden foi vice-presidente, que ele escolheu como o próximo chefe da diplomacia.

Sua mensagem é clara: o multilateralismo voltou após quatro anos da ideia "EUA primeiro" defendida por Trump.

Na NBC, Biden disse que já conversou com mais de 20 líderes, todos "animados com o fato de os Estados Unidos estarem reafirmando seu papel no mundo e construindo coalizões".

O presidente chinês Xi Jinping o parabenizou em um telegrama citado pela mídia estatal em Pequim na quarta-feira.

"A eleição acabou", disse a porta-voz de Joe Biden, Kate Bedingfield. "Quase todos na Terra aceitaram a verdade, exceto Donald Trump e Rudy Giuliani".

Novos grandes nomes do governo Biden serão anunciados na próxima semana, "incluindo sua equipe econômica", antecipou.

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