'Trump não tem nenhum humanismo', diz fotógrafo lendário da Casa Branca

Redação Notícias
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U.S. President Donald Trump walks without a mask and carries an umbrella while boarding Air Force One as he departs Washington for travel to Florida, his first campaign trip since being treated for the coronavirus disease (COVID-19), at Joint Base Andrews, Maryland, U.S., October 12, 2020. REUTERS/Jonathan Ernst     TPX IMAGES OF THE DAY
(Foto: Reuters)

Por Elisabetta Bianchini, Editora do Yahoo News

Lançado antes das eleições presidenciais dos EUA em novembro, o filme The Way I See It (Como eu vejo, em tradução livre) apresenta reflexões de Pete Souza, ex-fotógrafo-chefe da Casa Branca, sobre as diferenças entre os mandatos de Barack Obama e Ronald Reagan para o de Donald Trump.

A ideia central do filme, dirigido por Dawn Porter e participante da edição de 2020 do Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), trata de como o respeito pelo cargo de presidente e a empatia para com o povo americano são imprescindíveis para qualquer pessoa que venha a assumir esse papel. Essa visão é ilustrada pelas fotografias mais impactantes e interessantes feitas por Pete ao longo de sua carreira na Casa Branca.

“Quero que as pessoas reflitam sobre que tipo de pessoa, que tipo de ser humano queremos ver no gabinete da presidência”, afirmou Pete ao Yahoo Canada. “Queremos alguém confiante, respeitoso, digno, ético e com moral ou queremos um mentiroso, intimidador, que pensa que a presidência gira em torno dele?”

“Essas são as alternativas que se apresentam entre Joe Biden, que possui as mesmas qualidades de liderança e humanismo de Barack Obama, e o atual presidente Donald Trump, que não tem nenhuma delas.”

Revelando a ‘sombra’ de Trump

Sem dúvida, Pete registrou em suas lentes os presidentes democratas e republicanos mais notáveis da história dos EUA (embora tenha tido muito mais acesso a Obama), mas nunca buscou ser personagem principal de um documentário. Ele chamou a atenção de Laura Dern e da produtora dela, que acabaram assistindo a uma das palestras de lançamento do livro de Pete e convencendo-o a fazer o filme.

Na maior parte do tempo, o lendário fotógrafo guardou suas opiniões políticas para si. Porém, quando Trump se tornou presidente dos EUA, Pete se posicionou e criticou publicamente comportamentos e retóricas com os quais não concordava. Ele começou a chamar a atenção nas redes sociais ao usar fotos tiradas de Obama para comparar os dois presidentes no Instagram. O resultado disso foi compilado no livro intitulado “Shade: A Tale of Two Presidents” (Sombra: a história de dois presidentes, em tradução livre).

Embora a “sombra” seja um elemento constante no filme, o contraste gritante entre as fotografias tiradas de Trump e de Obama também é apontado. Momentos autênticos, emotivos e humanos que Pete conseguia capturar antes aparentemente não existem com o presidente Trump.

“Nem sei se é possível”, afirma o fotógrafo. “A única vez que vimos Trump supostamente consolando famílias foi após os dois tiroteios em massa em Ohio e Texas. Na ocasião, foram mostradas praticamente todas as filmagens dos bastidores, onde tudo o que vemos é Trump querendo ser tratado como uma estrela. A verdade é que ele não consolou ninguém.” “Ele simplesmente não tem um pingo de empatia, nem compaixão. Ele é o centro de tudo, mais ninguém. Digo que não sei se imagens desse tipo existem porque esse não é o tipo de ser humano que ele é.”

A importância da fotografia para a história Se alguém duvida do poder da fotografia, The Way I See It apresenta de maneira inegável como as lentes de Pete são capazes de impactar as emoções do público, tanto em momentos alegres quanto decepcionantes.

Algumas das muitas imagens notáveis de Obama retratam o ex-presidente e funcionários reunidos durante o ataque contra Bin Laden, o garoto Jacob Philadelphia, de cinco anos, tocando o cabelo de Obama no Salão Oval, além de momentos comoventes dele com suas filhas e esposa, Michelle. Pete publicou outro livro, intitulado “Obama: An Intimate Portrait” Obama: um retrato íntimo, em tradução livre), uma biografia visual documentando seus mandatos.

“[A fotografia] pode evocar emoções mais intensas que um vídeo”, explica Pete. “Todo mundo carrega sua própria história e seus preconceitos ao olhar para uma foto. Ao mesmo tempo, é uma linguagem universal. Acho que todos somos capazes de criar um vínculo com as imagens e instantaneamente reconhecer sua autenticidade.”

Esses não são registros meramente belos; eles moldam a história, capturando momentos no tempo para que as gerações futuras se informem e aprendam. Se Biden vencer as eleições de novembro e se tornar o próximo presidente dos EUA, Pete planeja ligar para ele para “lembrá-lo de que o trabalho do fotógrafo oficial da Casa Branca é documentar a presidência para a história”.

“Para que isso aconteça, ele precisa conceder ao fotógrafo o mesmo acesso que eu tive ao presidente Obama”, afirma Pete. “A Casa Civil de Biden determinará se essas imagens poderão ser divulgadas publicamente ou não, mas ele precisará garantir que o fotógrafo tenha acesso a ele em favor da história. Não tenho dúvidas de que Biden entenderá isso.”