Trump oficializa novas sanções econômicas contra o Irã

***ARQUIVO***WASHINGTON, EUA, 19.03.2019 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, na Casa Branca em Washington, nos Estados Unidos. (Foto: Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Folhapress)

WASHINGTON, EUA, E RIAD, ARÁBIA SAUDITA (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (24) uma ordem executiva que impõe novas sanções econômicas ao Irã, em meio a um aumento das tensões entre os dois países. Trump disse inicialmente que as sanções, que terão como alvo o líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, se deram em resposta à derrubada de um drone dos EUA pelo Irã na quinta (20). Mas em seguida o republicano afirmou que as novas punições estavam previstas para serem implantadas antes do episódio da queda do drone. A ordem assinada nesta segunda deve barrar o acesso de líderes iranianos a instrumentos financeiros, mas detalhes de como isto será executado ainda não foram divulgados. Segundo o Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que estava presente durante a assinatura, as novas medidas bloquearão bilhões de dólares em ativos iranianos. "Sanções impostas por meio da ordem executiva vão negar ao Líder Supremo [do Irã] e ao escritório do Líder Supremo, e àqueles intimamente ligados a ele e ao escritório, o acesso recursos financeiros essenciais e apoio", disse Trump. "O Irã nunca poderá ter uma arma nuclear", completou. Esta é a segunda rodada de sanções que os EUA impõem contra seu rival este ano. Em maio, Washington ordenou que países aliados parassem de importar petróleo do Irã. A ideia é estrangular a economia do regime, já que a venda da commodity é a principal fonte de receita do Irã. Segundo o jornal The New York Times, as novas sanções devem atingir outras fontes de renda do país, com o objetivo de forçar mudanças políticas na nação.Trump quer que Teerã a abra negociações sobre seus programas nucleares e de mísseis, bem como suas atividades militares na região. A primeira mudança seria dar limites estritos ao desenvolvimento do programa nuclear do país -que poderia evoluir a ponto de produzir armamentos. A segunda seria impedir o apoio do Irã a milícias árabes na região -o país é aliado do grupo rebelde do Iêmen houthi, de quem se vale para atacar a Arábia Saudita, sua inimiga. A tensão entre os países vem crescendo desde que Washington se retirou, no ano passado, de um acordo nuclear firmado com Teerã e outras potências em 2015. O governo de Trump disse que o acordo fechado com seu antecessor, o presidente Barack Obama, não fez o suficiente para conter o avanço nuclear do país do Oriente Médio. Mas a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU diz que o Irã vinha cumprindo os pontos do acordo.  Em maio, quatro petroleiros da Arábia Saudita -aliada americana- foram atacados na mesma região, e os EUA afirmaram que era provável que o Irã fosse o responsável. No início deste mês, dois navios petroleiros sofreram ataques no estreito de Hormuz. Os EUA culparam o Irã, que negou a autoria.  Na quinta (20), o Irã abateu um drone espião americano que, segundo a versão do país, sobrevoava espaço aéreo internacional. Mas Teerã afirma que a aeronave estava em espaço aéreo iraniano.  Em resposta, Trump chegou a ordenar ataques aéreos contra o país, mas mudou de ideia na último minuto ao ser informado de que 150 mortes poderiam ser causadas. Ele considerou a resposta desproporcional à derrubada do drone. Os EUA afirmam não querer entrar em guerra. Trump disse estar aberto a conversas com líderes iranianos, mas Teerã rejeitou tal oferta a menos que Washington abandone as sanções.