Trump recoloca Cuba na lista dos EUA de patrocinadores do terrorismo

Matt Spetalnick
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Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em Washington

Por Matt Spetalnick

WASHINGTON (Reuters) - O governo Trump anunciou nesta segunda-feira que estava recolocando Cuba na lista organizada pelos Estados Unidos de Estados patrocinadores do terrorismo, uma medida que pode complicar os esforços de gestão do presidente eleito, Joe Biden, de retomar uma distensão nos laços com Havana iniciada sob o ex-presidente norte-americano Barack Obama.

A apenas nove dias de o presidente republicano deixar o cargo, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que Cuba estava sendo sancionada por "apoiar repetidamente atos de terrorismo internacional" ao abrigar fugitivos norte-americanos, como também líderes rebeldes colombianos.

Pompeo também citou o apoio de segurança de Cuba, governada pelos comunistas, ao presidente venezuelano Nicolás Maduro, que ele afirmou ter permitido ao líder socialista manter o controle do poder e criar "um ambiente permissivo para terroristas internacionais viverem e prosperarem na Venezuela".

"Com essa ação, vamos mais uma vez responsabilizar o governo de Cuba e enviar uma mensagem clara: o regime de Castro deve encerrar seu apoio ao terrorismo internacional e à subversão da Justiça dos EUA", disse Pompeo em um comunicado.

O retorno de Cuba à lista é mais um retrocesso da iniciativa do ex-presidente Barack Obama de suavizar as relações entre os antigos adversários da Guerra Fria. A decisão de Obama de remover formalmente Cuba da lista de terrorismo em 2015 foi um passo importante para restaurar os laços diplomáticos naquele ano.

A decisão sobre a lista de terrorismo ocorre após meses de revisão jurídica, com alguns especialistas do governo questionando se era justificada, segundo disse uma fonte familiarizada com o assunto à Reuters, sob condição de anonimato.

Isso exigirá mais longas deliberações legais para que o presidente eleito Joe Biden reverta a designação.

Trump reprimiu Cuba desde que chegou ao poder em 2017, endurecendo as restrições às viagens e remessas dos EUA para Cuba e impondo sanções aos embarques de petróleo venezuelano para a ilha.

"Condenamos a anunciada designação hipócrita e cínica pelos EUA de #Cuba como um Estado que patrocina o terrorismo", disse o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, no Twitter.

"O oportunismo político dos EUA é reconhecido por aqueles que estão honestamente preocupados com o flagelo do terrorismo e suas vítimas", acrescentou.

(Reportagem de Matt Spetalnick, reportagem adicional de Daphne Psaledakis)