Trump promulga lei que apoia manifestantes em Hong Kong

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto ao peru Butter, no Dia de Ação de Graças, no Jardim das Rosas da Casa Branca, em 26 de novembro de 2019.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promulgou nesta quarta-feira a lei que apoia os manifestantes pró-democracia em Hong Kong, uma decisão que irritará provavelmente o governo em Pequim, envolvido em complicadas negociações comerciais com Washington.

"Hoje promulguei como lei (...) a ata de 2019 sobre os direitos humanos e a democracia em Hong Kong", escreveu Trump em comunicado divulgado pela Casa Branca.

A resolução foi adotada há alguns dias por ampla maioria no Congresso. Após a medida, Pequim convocou o embaixador dos Estados Unidos para protestar.

O território semiautônomo de Hong Kong vive há quase seis meses o maior movimento de protestos desde que o Reino Unido o devolveu para a China, em 1997.

"Firmei esta resolução por respeito ao presidente Xi (Jinping), à China e ao povo de Hong Kong", explicou Trump em um comunicado.

"Foi promulgada com a esperança de que os líderes e representantes da China e de Hong Kong saibam solucionar, de forma amistosa, suas divergências".

Já Pequim ameaçou adotar "medidas de represália" e classificou a medida de "uma abominação absoluta que oculta intenções sinistras", em nota do ministério das Relações Exteriores.

Este texto "apoia descaradamente os atos cometidos contra cidadãos inocentes que foram golpeados, feridos e queimados (...) por delinquentes violentos", denunciou o regime chinês.

O governo de Hong Kong manifestou seu "profundo pesar" pela adoção da lei, e acusou Washington de "ingerência" nos assuntos internos.

"As duas atas estão interferindo claramente nos assuntos internos de Hong Kong", declarou um alto funcionário do Executivo, avaliando que a resolução "transmite uma mensagem equivocada aos manifestantes".

Desde seu início, as manifestações no território semiautônomo têm provocado frequentes confrontos entre policiais e manifestantes.

A decisão do presidente foi celebrada tanto por senadores do Partido Republicano como por membros da oposição democrata.

Os senadores Marco Rubio e Jim Risch, ambos republicanos, e os democratas Ben Cardin e Bob Menéndez emitiram uma declaração conjunta.

Segundo Rubio, os "Estados Unidos agora têm ferramentas novas e significativas para dissuadir uma maior influência e interferência de Pequim nos assuntos internos de Hong Kong".

"Após as eleições históricas do final de semana em Hong Kong, que incluíram uma participação recorde, esta nova lei não poderia ser mais oportuna para mostrar um forte apoio dos Estados Unidos à liberdade" dos habitantes da ilha.

"Os Estados Unidos não apenas observam, como também apoiam os manifestantes enquanto caminham para a autossuficiência, a democracia e os direitos humanos", declarou Cardin.