Irã reafirma aos EUA que pacto nuclear não é "negociável"

Teerã, 29 abr (EFE).- O presidentee do Irã, Hassan Rohani, advertiu neste domingo os Estados Unidos de que o pacto nuclear não é "negociável" e afirmou que seu país não aceitará nenhuma restrição além dos seus compromissos firmados nesse acordo.

Em uma longa conversa por telefone com o presidente da França, Emmanuel Macron, Rohani ressaltou que "o JCPOA (sigla em inglês do acordo nuclear) e qualquer outro tema sob esta desculpa não são de nenhuma maneira negociáveis" segundo um comunicado da Presidência iraniana.

"Consideramos uma variedade de respostas para qualquer decisão que os EUA tomarem em 12 de maio", diz a nota, sem entrar em mais detalhes.

O presidente americano, Donald Trump, anunciará em 12 de maio se Washington deixará ou não o JCPOA, assinado em 2015 entre o Irã e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha).

Rohaní advertiu que, mesmo que os EUA decidam permanecer no JCPOA, "enquanto continuarem com a forma como esteve funcionando nos últimos dois anos, não será aceitável" para o Irã.

Na sua opinião, a conduta atual de Washington implica "uma violação explícita" do pacto e cria uma incerteza e medo de sanções que dificulta os investimentos e os negócios das empresas estrangeiras no Irã.

Quanto à situação regional, Rohani se limitou a dizer que o Irã sempre demonstrou estar aberto a "negociar para garantir a estabilidade e segurança regional, em particular para combater o terrorismo ".

Após uma hora de conversa por telefone, Macron e Rohani concordaram em "trabalhar sobretudo nas próximas semanas para preservar o conteúdo do acordo de 2015 em todos os seus componentes", segundo a Presidência francesa.

Mas a França deseja que esse acordo seja ampliado a 2025. Além disso, quer que seja estendido a outros fatores, como o programa balístico iraniano e a seu envolvimento nas crises regionais.

Nesse sentido, Macron e Rohani também consideraram prioritário o diálogo sobre a situação no Iêmen e a Síria.

O acordo nuclear de 2015 limita o programa atômico de Teerã em troca da retirada das sanções internacionais, mas não inclui nenhuma restrição às armas convencionais do Irã ou a suas políticas no Oriente Médio.

Em Jerusalém, o novo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou hoje que se o presidente americano, Donald Trump, não conseguir que o "defeituoso" acordo nuclear com o Irã seja corrigido, Washington se retirará deste pacto. EFE