Trump retalia depreciação do real e vai elevar tarifas sobre aço e alumínio brasileiros

Extra, com agências
O presidente dos EUA, Donald Trump, acusou o Brasil e a Argentina de desvalorizarem em demasia suas moedas

WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Brasil e a Argentina de desvalorizarem em demasia suas moedas e anunciou, via Twitter, a retomada de tarifas ao aço e ao alumínio dos dois países sul-americanos.

De acordo com o presidente americano, a medida tem efeito imediato. A medida é mais um revés na relação com os EUA, que mantiveram veto à carne bovina brasileira e não apoiaram a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).         

“O Brasil e a Argentina têm liderado uma desvalorização maciça de suas moedas, o que não é bom para os nossos agricultores. Portanto, com efeito imediato, restaurarei as tarifas de todos os aços e alumínio enviados para os EUA a partir desses países”, escreveu Trump, na manhã desta segunda-feira (dia 29).

Ao deixar o Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que vai conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e que, se necessário, telefonará para Trump.

— Vou falar com o Paulo Guedes. Alumínio? Vou falar com o Paulo Guedes agora — disse, acrescentando: — Vou conversar com o Paulo Guedes. Se necessário, ligo para o Trump. Tenho um canal aberto com ele.

Bolsonaro disse que só comentará o assunto após conversar com Guedes para “não ter que recuar”:

— Converso com Paulo Guedes e depois dou a resposta. Para não ter que recuar.

Trump ainda usou a oportunidade para criticar novamente o Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

“O Fed também deve deve agir para que os países, dos quais existem muitos, não se aproveitem mais do nosso dólar forte, desvalorizando ainda mais suas moedas. Isso torna muito difícil para nossos fabricantes e agricultores exportarem seus produtos de maneira justa. Taxas mais baixas e afrouxamento - Fed!”, acrescentou.

Trump exortou repetidamente o Fed a baixar taxas para abaixo de zero, argumentando que taxas negativas na Europa e em outros lugares dão a esses países uma vantagem competitiva.

No entanto, os formuladores de políticas do Fed têm relutado em adotar as medidas pouco ortodoxas adotadas por outros bancos centrais globais. O comitê responsável por formular as políticas do banco central dos EUA realiza sua próxima reunião nos dias 10 a 11 deste mês.

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