Trump revela que está tomando hidroxicloroquina

O presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca, em 18 de maio de 2020

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma revelação surpreendente nesta segunda-feira (18), ao afirmar que está tomando hidroxicloroquina, um medicamento antimalária que divide os especialistas médicos sobre sua eficácia no combate à infecção pelo novo coronavírus.

Destacando que testou negativo para a COVID-19 e que não tem sintomas da doença, Trump disse que está tomando o remédio "há cerca de uma semana e meia".

"Eu tomo o comprimido todos os dias", afirmou, acrescentando que também toma zinco preventivamente.

Consultado sobre o porquê, ele disse, "porque eu acho que é bom. Ouvi um monte de boas histórias".

Trump demonstrou interesse em promover este medicamento por semanas, apesar de muitos médicos afirmarem que ele não funciona para pacientes com coronavírus e que os órgãos reguladores do governo americanos alertam que "ele não provou ser seguro".

Os comentários de Trump sobre a hidroxicloroquina surgiram do nada. E logo tiveram destaque na imprensa local no mesmo dia em que os Estados Unidos ultrapassaram as 90.000 mortes por COVID-19, quase um terço do total mundial desde que a doença surgiu em dezembro na China.

"Eles ficariam surpresos com o número de pessoas que tomam (o medicamento), principalmente os trabalhadores da linha de frente ... Acontece que eu estou tomando", acrescentou o presidente durante uma reunião dedicada ao setor de restaurantes, em dificuldades por conta da pandemia.

"Estou tomando hidroxicloroquina, agora. Sim. Há algumas semanas eu comecei a tomar", disse de repente.

Trump sempre minimizou os riscos do novo coronavírus, inclusive na semana passada, quando afirmou que representa perigo apenas para um pequeno grupo de pessoas. Ele também se recusa a usar máscara, contrariando as recomendações de autoridades americanas e embora a maioria de sua equipe cubra os rostos em público.

Trump revelou que toma hidroxicloroquina com a aprovação do médico da Casa Branca. No entanto, ele insistiu que ele, não o médico, deu o primeiro passo.

"Perguntei a ele, o que você acha? Ele disse: 'Se você quiser.' Eu disse, 'sim, eu gostaria'", afirmou.

Trump revelou que recebeu muitos "telefonemas positivos" de pessoas que não identificou e que lhe falaram sobre o medicamento usado contra a malária.

Também mencionou uma carta que recebeu de um médico de Nova York, cujo nome não revelou, que informou que havia prescrito o medicamento para centenas de pacientes e que não havia perdido "nenhum".

Mas o FDA, a agência federal que regula medicamentos nos Estados Unidos, alerta contra a administração de hidroxicloroquina para a prevenção ou tratamento do coronavírus e destaca os efeitos colaterais relatados, que incluem "graves problemas de ritmo cardíaco em pacientes com COVID-19".

Somente o uso de emergência é autorizado pelo FDA sob regras temporárias.