Trump se nega a testemunhar em julgamento de impeachment 'inconstitucional'

Paul HANDLEY
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O ex-presidente Donald Trump se negou nesta quinta-feira (4) a testemunhar no julgamento de impeachment que começará na semana que vem e que ele considera "inconstitucional", declinando um pedido dos legisladores que atuarão como promotores do processo.

A defesa de Trump ridicularizou o pedido do congressista democrata Jamie Raskin, que lidera a parte acusadora, para ser interrogado sobre o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio, como um "golpe de efeito comunicacional".

"Sua carta só confirma o que todos sabem: não podem provar suas acusações" contra Trump, afirmaram os advogados do ex-presidente, Bruce Castor e David Schoen, na resposta.

Embora os advogados não tenham confirmado se Trump testemunhará, o principal assessor do magnata republicano, Jason Miller, afirmou categoricamente que ele não o fará.

"O presidente não testemunhará no processo inconstitucional", garantiu Miller à AFP.

- Julgamento começa na terça -

A recusa de Trump é anunciada cinco dias antes do início do julgamento no Senado do ex-presidente republicano, acusado de "incitar à insurreição".

Em seu segundo julgamento de impeachment, Trump é acusado de fomentar o ataque de seus partidários ao Congresso dos Estados Unidos há um mês, obrigando os legisladores a suspender o processo para certificar a vitória de Joe Biden, seu rival nas eleições presidenciais de novembro.

Raskin pediu a Trump, que afirma sem provas que Biden venceu por fraude massiva, para dar seu testemunho "sob juramento", antes ou durante o julgamento, entre segunda-feira 8 e quinta-feira 11 de fevereiro.

“Se você recusar este convite, nos reservamos todos os direitos, incluindo o direito de argumentar no julgamento que sua recusa em testemunhar pesa muito contra você”, escreveu Raskin.

A carta de Raskin e a resposta da defesa estabeleceram as linhas de batalha para um impeachment nunca antes visto de um presidente após deixar o cargo.

Os promotores democratas da Câmara Baixa, chamados de gerentes do impeachment, dizem que o líder republicano foi responsável pelo ataque à sede do Congresso, que deixou cinco mortos.

"Em uma grave traição ao seu juramento, o presidente Trump incitou uma multidão violenta a atacar o Capitólio dos Estados Unidos", argumentaram.

Mas a equipe de Trump argumentou nesta terça-feira que tudo o que o ex-presidente disse nos dias e horas antes do ataque para encorajar seus apoiadores a rejeitar a vitória de Biden nas eleições estava coberto por seu direito constitucional à liberdade de expressão. Os advogados do magnata também afirmam ser inconstitucional julgar um ex-presidente no Senado.

- "Lutar como o inferno" -

O ataque de 6 de janeiro continua repercutindo em Washington.

Cerca de 180 pessoas foram indiciadas pelo ataque ao Capitólio, de acordo com uma contagem do Programa sobre Extremismo da Universidade George Washington, e outras centenas estão sob investigação.

O Departamento de Justiça sugeriu que poderia construir um caso de "conspiração sediciosa" contra alguns grupos pró-Trump de extrema direita.

Vários dos réus disseram que foram encorajados pelo magnata republicano, que menos de duas horas antes do ataque convocou seus partidários reunidos em um comício em frente à Casa Branca a "lutar como o inferno" em apoio às suas reivindicações de vitória eleitoral.

Trump já havia sido alvo de um processo de impeachment no final de 2019 por pedir à Ucrânia que investigasse o filho de Biden por suposta corrupção.

Ele não testemunhou naquele primeiro julgamento e foi rapidamente absolvido por um Senado de maioria republicana.

Mas, embora os democratas tenham recuperado o controle da Câmara Alta, eles terão dificuldade em angariar o apoio de 67 dos 100 senadores necessários para um veredito de culpado.

Na semana passada, 45 dos 50 senadores republicanos deixaram claro em uma votação que acreditam que julgar um ex-presidente é inconstitucional.

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