'Números não mentem', mas Trump insiste em não reconhecer derrota nas urnas

Jerome CARTILLIER
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O presidente Donald Trump na Casa Branca em 13 de novembro de 2020
O presidente Donald Trump na Casa Branca em 13 de novembro de 2020

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segue tenaz no objetivo de não admitir a derrota para Joe Biden nas eleições, o que levanta dúvidas sobre a forma como o mandatário pretende sair dessa situação.

Em coletiva de imprensa na qual admitiu perguntas, o mandatário republicano reiterou que foi o vencedor da "campanha", apesar de ter como adversários "as grandes farmacêuticas, a imprensa e as empresas de tecnologia".

Sem apresentar provas, Trump se defende adotando uma posição cada vez mais difícil de ser sustentada, um dia depois do anúncio oficial da recontagem de votos na Geórgia, onde Biden venceu por margem estreita.

"Os números não mentem", declarou Brad Raffensperger, secretário de Estado da Geórgia e responsável pelo processo eleitoral no estado. "Representam o veredito do povo", declarou.

Diante das insistentes perguntas sobre quando Trump irá reconhecer a derrota, a porta-voz do presidente, Kayleigh McEnany esquivou-se.

"O presidente apresentou recursos na justiça, ele está levando as coisas um dia de cada vez", respondeu McEnany durante uma coletiva de imprensa tensa.

Isolado na Casa Branca, Trump começou o dia retuitando um vídeo da polêmica coletiva de imprensa realizada por seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, na quinta-feira.

Suando bastante, a ponto de uma gota de cor castanha que saía de seu cabelo escorrer por sua bochecha, Giuliani defendeu por quase duas horas a tese de Trump de que o Partido Democrata organizou uma fraude em grande escala nas eleições de 3 de novembro.

Nesta sexta-feira, Trump recebeu as autoridades locais de Michigan, estado onde em 2016 derrotou Hillary Clinton, mas, em 2020, perdeu para Joe Biden.

Esse convite, que praticamente coincide com a oficialização dos resultados naquele estado, esperadas para a próxima segunda-feira, gerou uma onda de críticas.

Bob Bauer, advogado da equipe de Biden, chamou a visita de "patética".

“É um abuso de poder, é uma iniciativa que visa intimidar os responsáveis pelas eleições”, declarou, afirmando ter a certeza de que esta tentativa irá falhar.

"Não temos conhecimento de nenhuma informação que possa mudar o resultado das eleições no Michigan", disse o líder da maioria do Senado Mike Shirkey e o presidente da Câmara Lee Chatfield em um comunicado conjunto após se reunirem com Trump.

"O processo de certificação no Michigan deve acontecer sem ameaças ou intimidações", acrescentaram.

Na tarde de quinta-feira, o senador republicano Mitt Romney acusou o presidente de exercer "pressão manifesta sobre as autoridades federais e locais" para ir contra a "vontade do povo".

Ao ser questionada sobre esta reunião, Kayleigh McEnany disse que não tinha nada a ver com os resultados das eleições e que fazia parte das clássicas reuniões do presidente com funcionários do país.

Nesta sexta-feira, o senador republicano Lamar Alexander, que termina neste ciclo sua carreira política, se tornou o último de seus correligionários a pressionar Trump para que admita derrota nas eleições.

Biden "tem grandes chances" de tornar-se o próximo presidente, afirmou Alexander, que pediu para que o democrata tenha à disposição todos os recursos para facilitar a transição de poder.

- Aprovação em queda -

"É difícil imaginar como esse homem raciocina", ponderou Joe Biden na quinta-feira.

"Estou convencido de que ele sabe que perdeu e que vou tomar posse como presidente no dia 20 de janeiro, o que torna isso simplesmente escandaloso", acrescentou o presidente eleito, que comemorou seu 78º aniversário nesta sexta-feira, a dois meses da posse.

A equipe de campanha democrata não anunciou qualquer evento especial para comemorar o aniversário, mas Biden teve encontros em sua residência, em Wilmington, estado do Delaware, com Nancy Pelosi, a líder do partido na Câmara dos Representantes, e com o chefe da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer.

De acordo com estudo publicado nesta sexta-feira, a consultoria Pew Research Center analisou a opinião dos americanos sobre os comportamentos de Trump e Biden desde a eleição de 3 de novembro.

O resultado aponta que apenas 31% dos entrevistados aprovam o comportamento do atual inquilino da Casa Branca como bom ou excelente, contra 62% que atribuem essa qualificação a Biden.

Em âmbito nacional, Biden obteve cerca de 80 milhões de votos nas eleições de 3 de novembro, contra 74 milhões para Trump.

No entanto, nos Estados Unidos, a presidência é definida por um sistema de votos eleitorais atribuídos a cada estado, e Biden conseguiu vencer por uma margem estreita em vários redutos importantes.

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