Trump tem cerimônia de despedida, mas sem multidão

Sebastian Smith
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O magnata republicano Donald Trump desejava uma despedida de herói nesta quarta-feira (20), e a cerimônia organizada para ele em uma base da Força Aérea nos arredores de Washington se aproximou disso. Mas faltou uma coisa: a grande multidão que tanto ama.

Menos de quatro horas antes de Joe Biden assumir o cargo, Trump deixou a Casa Branca para a Flórida (sudeste).

Após partir às 08h18 no helicóptero Marine One do Campo Sul da Casa Branca, ele pousou na Base Andrews junto com o reluzente Boeing 747 presidencial - Air Force One.

Uma banda da Força Aérea tocou "Hail to the Chief". E os canhões do Exército o saudaram com uma salva de 21 tiros.

Mas, apesar da pompa militar, aquilo que Trump mais ama - as enormes multidões gritando "Nós amamos Trump!" - estavam ausentes.

Cerca de 500 fãs compareceram, enfrentando o vento gelado.

"Temos o país mais poderoso do mundo", disse Trump em um breve discurso muito parecido com seus discursos de campanha, exceto que este era para dizer adeus.

"Foi minha maior honra e privilégio ser seu presidente. Tenham uma boa vida", declarou.

- Presidente derrotado -

Ignoradas a pequena multidão e a ocasião, o evento soou como uma homenagem a um líder no auge de seus poderes, não a despedida de um presidente derrotado de um único mandato que terminou com a particular distinção de enfrentar um segundo processo de impeachment.

Olhando mais de perto, nem tudo se encaixou totalmente na mensagem que Trump queria enviar a seu povo.

O constrangimento de se reunir em uma base varrida pelo vento nos subúrbios de Washington na hora do café da manhã foi a primeira pista.

Trump não tinha escolha, com o tempo correndo para o fim de seu mandato.

Portanto, precisava literalmente de cada minuto para embarcar no Air Force One rumo a Flórida e ainda ser capaz de usar a comitiva presidencial para chegar à residência de seu clube de golfe em Palm Beach antes que o relógio batesse meio-dia.

- Caminhada fria -

Na tentativa de aumentar o número de participantes, a Casa Branca flexibilizou o envio de convites.

Os convidados individuais foram informados de que poderiam levar até cinco acompanhantes.

Até mesmo Anthony Scaramucci, que foi demitido do cargo de diretor de comunicação após trabalhar apenas 11 dias no início do mandato de Trump, foi convidado.

Scaramucci disse que a Casa Branca não parecia se importar com quem poderia aparecer.

Muitos nomes importantes, muito maiores que Scaramucci, também receberam convites e também disseram não.

Estavam ocupados.

O vice-presidente Mike Pence, o rosto da lealdade de Trump nos últimos quatro anos, divulgou publicamente sua programação de atividades para esta quarta no dia anterior.

O único item na página em branco dizia: "11:00 AM. O VICE-PRESIDENTE e a SEGUNDA-DAMA comparecem à 59ª Cerimônia de Posse" de Joe Biden.

Ou seja, Pence não compareceu à despedida de seu antigo chefe porque estaria na posse do novo presidente.

O altamente respeitado ex-chefe de Estado-Maior e general aposentado da Marinha, John Kelly, foi convidado, embora também tenha se tornado um crítico muito público e mordaz do bilionário republicano.

Kelly garantiu à CNN que tinha outros compromissos.

Duas figuras proeminentes no Congresso, os leais apoiadores republicanos de Trump, o líder do Senado Mitch McConnell, e seu colega na Câmara, Kevin McCarthy, tinham outra desculpa: aceitaram um convite para ir à igreja com Biden.

Um tapete vermelho cruzava a pista militar até os degraus do Air Force One. Para o futuro presidente Trump, foi uma caminhada longa e fria. Sem o tão esperado calor popular.

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