Trump volta a desafiar pesquisas mas pode não ser suficiente

Francesco Fontemaggi and Thomas Urbain in New York
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Trump acusou as pesquisas de interpretarem as eleições de 2020 'completamente mal'
Trump acusou as pesquisas de interpretarem as eleições de 2020 'completamente mal'

O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que, assim como nas eleições de 2016, as pesquisas de opinião subestimaram o entusiasmo de seus apoiadores.

Há quatro anos, Trump surpreendeu ao vencer a adversária, Hillary Clinton. "Os 'pesquisadores' o fizeram completa e historicamente mal!", tuitou o presidente hoje, após declarar vitória sobre o democrata Joe Biden antes do encerramento da apuração.

Apesar de a corrida pela Casa Branca não estar decidida, todos os sinais apontam para uma vitória apertada de Biden. Há quatro anos, Trump era o candidato mais fraco e a maioria das pesquisas apontava Hillary como favorita.

Chris Jackson, da empresa de pesquisas e estudos de mercado Ipsos, assinalou que as enquetes sobre a disputa entre Trump e Biden "parecem ter acertado em todo o sul e sudoeste". A média das pesquisas estaduais do site RealClearPolitics apontava Biden com uma leve vantagem no Arizona, atrás na Carolina do Norte e empatado com Trump na Geórgia, e os resultados coincidiram em grande parte com estes estudos.

Na Flórida, estado especialmente difícil para as empresas de pesquisas, Biden era levemente favorito até os últimos dias que antecederam as eleições. Uma pesquisa conjunta ABC News/"Washington Post" apontou Trump como vencedor naquele estado por dois pontos, perto da margem final.

Ao mesmo tempo, Chris Jackson indicou que "Trump parece ter voltado a registrar um rendimento superior ao das pesquisas que antecederam as eleições no Meio-Oeste do país. O republicano obteve a presidência em 2016 com vitórias nos estados-chave de Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, onde todas as pesquisas apontavam Hillary como vencedora.

Em Wisconsin, a média RCP das pesquisas estaduais fez com que Biden subisse 6,7 pontos, enquanto as pesquisas do "New York Times" e do Washington Post o mostravam na liderança por 11 e 17 pontos, respectivamente.

Com 98% dos votos apurados em Wisconsin, a margem de vitória de Biden é de 0,6 ponto, ou cerca de 20 mil votos. Em Michigan, com 97% dos votos apurados, Biden lidera por 1,2 ponto percentual. Já Trump tem uma vantagem de cinco pontos na Pensilvânia, com 84% dos votos apurados.

- Pesquisas acertadas -

Antes das eleições, o site de acompanhamento político FiveThirtyEight.com previu que Biden seria vitorioso em 89 a cada 100 resultados simulados. Seu fundador, Nate Silver, declarou que as pesquisas de 2020 podem acabar não muito longe dessa projeção. 

O que parece estar claro é que muitas pesquisas subestimaram o voto em favor de Trump. Um estudo do "Des Moines Register" em Iowa, no entanto, acabou sendo bastante acertado. O periódico previu uma vitória de sete pontos para Trump naquele estado, onde ele venceu por oito pontos.

Em 2016, as pesquisas previram com precisão a liderança de Hillary na votação nacional, mas não nos estados-chave do Meio-Oeste. "Desta vez, parece que as pesquisas nacionais subestimaram a participação de Trump, e que isso também ocorreu na maioria dos estados", opiniou Christopher Wlezien, analista da Universidade do Texas, em Austin.

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