Truss, Boris e May discursam no Parlamento em dia de homenagens a Elizabeth

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Parlamento britânico dedica esta sexta-feira (9) a homenagens a rainha Elizabeth 2ª, morta aos 96 anos na véspera. A primeira-ministra, Liz Truss, deu início aos procedimentos na Câmara dos Comuns pela manhã após os parlamentares fazerem um minuto de silêncio. A expectativa é que a seção adentre a noite, terminando às 22h do horário local.

Truss, que já tinha feito um pronunciamento público sobre a morte da soberana no dia anterior, afirmou que havia conversado com o Rei Charles e que, mesmo de luto, ele havia demonstrado consciência da responsabilidade que terá daqui para frente.

O antecessor de Truss no cargo, Boris Johnson, contou uma anedota quando foi sua vez de falar. Ele disse que não conseguiu segurar as lágrimas quando a BBC pediu que ele falasse sobre ela em um obituário pré-gravado. "Simplesmente não conseguir ir adiante. Não sou alguém que chore facilmente, mas fui tão dominado pela tristeza que tive que pedir que a equipe fosse embora", afirmou. Ele elogiou o "espírito indomável" com que a rainha construiu a monarquia moderna no Reino Unido.

A ex-primeira-ministra Theresa May (2016-2019) também se pronunciou, lembrando as reuniões semanais que manteve com a rainha em seu período na função. "Não eram encontros com uma grande e poderosa soberana, mas conversas com uma mulher experiente e sábia", disse, descrevendo Elizabeth como "simplesmente a pessoa mais marcante que já conheci".

A Câmara dos Comuns presidirá uma sessão extra no sábado (10), data em que Charles será proclamado rei oficialmente. Os parlamentares que assim desejarem farão juramentos ao novo rei a partir das 14h, com as condolências mais uma vez seguindo até as 22h da noite.

A expectativa é de que o Parlamento britânico suspenda suas atividades por dez dias, em sinal de luto pela morte da rainha, mas o governo ainda não anunciou planos nesse sentido. O site Politico especula que, se a contagem for de dias úteis, os parlamentares só retornariam em 17 de outubro, atrasando a votação do teto do preço da energia prevista para 1º de outubro. É possível, no entanto, que a casa realize sessões adicionais durante o período de luto para passar leis emergenciais.