Problema em processador atrasa divulgação de apuração, Barroso diz que não afeta resultado

Por Eduardo Simões
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Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - Um problema em um processador do computador que totaliza os votos do primeiro turno das eleições municipais deste domingo provoca uma lentidão na divulgação dos números da apuração, disse o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, que afastou a possibilidade do problema técnico impactar no resultado das urnas.

"Houve um atraso na totalização dos resultados por força de um problema técnico que foi exatamente o seguinte: um dos núcleos de processadores do supercomputador que processa a totalização falhou e foi preciso repará-lo. Essa é a razão técnica pela qual houve o atraso", disse Barroso em entrevista coletiva em Brasília.

"A ideia de que a demora possa trazer algum tipo de consequência para o resultado não faz nenhum sentido, porque o resultado das eleições já saiu no momento em que a urna imprimiu o boletim da urna. Esse boletim é impresso em diversas vias, uma delas é afixada do lado de fora da seção eleitoral e esse material é distribuído aos partidos", explicou.

"Eu lamento que tenha acontecido... foi um pequeno acidente de percurso, sem nenhuma vítima, salvo um atraso na divulgação final do resultado, um atraso que, eu espero, que seja só de algumas horas", acrescentou um pouco depois.

Barroso admitiu que o fato de o TSE estar centralizando a totalização dos votos pela primeira vez pode estar relacionado com os problemas enfrentados. Anteriormente os tribunais regionais somavam os votos e então enviavam ao TSE.

"De fato houve uma alteração e a totalização passou a ser centralizada no TSE, essa não foi uma decisão minha, eu tomei posse em maio e o sistema já havia sido alterado dessa forma... muito possivelmente, por ser uma novidade, pode estar na origem da instabilidade que nós sofremos", disse.

Mais cedo, em nota, o TSE anunciou o problema na totalização, e negou que ela tenha relação com a tentativa de ataque cibernético que o presidente da corte, Luís Roberto Barroso, disse ter sido frustrado.

"Em razão de uma lentidão no processo de totalização dos votos (soma dos votos), está ocorrendo um atraso para a divulgação dos resultados da apuração", afirmou o TSE em nota à imprensa.

"Os dados estão sendo remetidos normalmente pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e recepcionados normalmente pelo banco de totalização, que está somando o conteúdo de forma mais lenta que o previsto."

A apuração em São Paulo, por exemplo, estava em apenas 0,39% das seções eleitorais apuradas após quatro hora e meia após o fechamento das urnas. Em Belo Horizonte em 12,01% e no Rio de Janeiro 30,11%.

Mais cedo, Barroso disse que o TSE frustrou a tentativa de um ataque hacker e negou que ela pudesse atrapalhar a apuração, lembrando que as urnas eletrônicas não ficam online.

Segundo ele, um dos procedimentos de segurança adotados para neutralizar a tentativa de ataque foi o desligamento de um dos principais servidores, além de um backup das informações mais importantes, retiradas de rede, como garantia para o caso de ataque bem-sucedido. [nL1N2I10IH]

Na nota da noite deste domingo, o TSE negou que a tentativa de ataque tenha relação com a lentidão na totalização dos votos.

"O problema está sendo resolvido pelos técnicos, para a retomada mais célere do processo de divulgação. Ressaltamos que não há nenhuma relação com o vazamento de dados pessoais de servidores e nenhuma relação com a tentativa de ataque cibernético registrada pela manhã", afirmou o tribunal.

Nas redes sociais já surgiam manifestações com teorias de manipulação eleitoral. O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, falava disso no Twitter, além de defender um projeto seu de mais segurança eleitoral.

"Noticiam que o TSE foi atacado por hackers. TSE nega. Então são expostos bancos de dados do TSE", disse o deputado.

"Isso traz um clima de insegurança, que faz as pessoas desconfiarem que o atraso na divulgação possa ser um novo ataque hacker ou manipulação já que não há transparência."

Na entrevista coletiva, Barroso também voltou a comentar o vazamento recente de dados do TSE e afirmou que eram dados "irrelevantes" e antigos. Disse ainda que a Polícia Federal está investigando o caso.