TSE inicia testes nas urnas eletrônicas para as eleições de 2022

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BRASÍLIA — O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu nesta segunda-feira a edição de 2021 do Teste Público de Segurança (TPS) do Sistema Eletrônico de Votação, uma das medidas adotadas pela Corte para aumentar a transparência do processo eleitoral e combater o discurso de que não há segurança nas urnas eletrônicas, alimentado sobretudo por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Durante o teste público de segurança, um grupo de 39 investigadores convidados pelo TSE irá verificar as linhas de códigos para subsidiar os planos de ataque que serão colocados em prática no teste, que consiste em um "ataque" às urnas. Neste ano, o tempo de inspeção dos códigos-fonte subiu de uma para duas semanas a pedido dos participantes e da Comissão Reguladora do evento.

— Isso dá transparência total porque eles estão tendo acesso a todos os códigos-fonte e a todos os programas que são instalados nas urnas eletrônicas brasileiras —, explicou o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Julio Valente.

Segundo Valente, a inspeção dos códigos-fonte é essencial para que os investigadores possam conhecer os softwares eleitorais e traçar as estratégias que serão adotadas durante o teste.

Na abertura do evento nesta segunda, o juiz auxiliar da presidência do TSE Sandro Vieira lembrou que a Corte "não tem problema com críticas" e que a Justiça Eleitoral "não trabalha para azul ou vermelho" -- em uma alusão aos ataques de Bolsonaro.

— Há grande politização sobre o tema. Não trabalhamos para azul ou vermelho, direita ou esquerda, mas para a sociedade, com eleições limpas e regras claras.Nós não temos nenhum problema com críticas, nós não temos problema com descobertas, vulnerabilidades. O Teste Público de Segurança é constituído para essa finalidade —, disse.

No último dia 7 de setembro, durante manifestação antidemocrática na Avenida Paulista, em São Paulo, o presidente da república chegou a afirmar que não seria "uma pessoa no Tribunal Superior Eleitoral" que iria dizer que as eleições são seguras, "usando a sua caneta desmonetizar páginas que criticam esse sistema de votação".

— A paciência do nosso povo já se esgotou! Nós acreditamos e queremos a democracia! A alma da democracia é o voto! E não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece segurança —, afirmou Bolsonaro.

Ainda durante o evento realizado nesta segunda, o TSE anunciou mais medidas para ampliar a transparência do processo eleitoral. Conforme mostrou o GLOBO, a partir de 2022, além do Boletim de Urna (BU), o TSE também publicará na internet os arquivos de Registro Digital do Voto (RDV) e os logs das urnas eletrônicas.

Antes restritos a entidades fiscalizadoras como Ministério Público, partidos políticos, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Departamento de Polícia Federal (DPF), os documentos serão compartilhados no Portal do TSE para que qualquer eleitor possa conferi-los logo após o término da eleição.

O RDV é uma espécie de tabela digital em que são gravados aleatoriamente os números digitados pelo eleitorado, enquanto o log da urna registra todos os movimentos que ocorrem dentro do aparelho desde o momento que é ligado.

Coordenador sistemas eleitorais, José de Melo Cruz chamou a atenção para a publicação dos arquivos de RDV e dos logs da urna eletrônica na internet e lembrou que “todo brasileiro que quiser poderá fazer a retotalização da eleição a partir destes arquivos e verificar se isso tá batendo com a totalização oficial do TSE".

Segundo ele, a partir das próximas eleições, cada eleitor poderá atuar como fiscal, verificando a possibilidade de refazer a totalização e ele mesmo garantir que foi tudo o que o TSE publicou.

— Imaginar que algo possa ocorrer na transmissão e totalização seria a fraude mais tola de todas, porque seria descoberta na hora facilmente conferindo os BU nas sessões eleitorais —, afirmou Cruz.

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