TSE rebate alegações de Bolsonaro a embaixadores sobre sistema eleitoral

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Funcionários da Justiça Eleitoral preparam urnas eletrônicas para as eleições de 2018, em Curitiba
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Por Pedro Fonseca

(Reuters) - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rebateu ponto a ponto alegações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro, nesta segunda-feira, em encontro com diplomatas a respeito do sistema eleitoral brasileiro, negando mais uma vez que um hacker tenha atacado o sistema de votação do país e assegurando a segurança das urnas eletrônicas.

Em uma nota em que rebate 20 alegações apresentando informações, dados e afirmações de autoridades, o TSE mais uma vez rejeitou as declarações de Bolsonaro de que as urnas eletrônicas não são seguras e as eleições seriam passíveis de fraudes.

"É falso que hacker teria atacado sistema de votação no 1º turno das Eleições Municipais de 2020", disse a corte eleitoral. "As investidas de hackers na época do pleito de 2020, com mais de 486 mil conexões por segundo, não obtiveram sucesso."

A corte também rebateu a afirmação do presidente de que as sugestões apresentadas pelas Forças Armadas no âmbito da Comissão de Transparência Eleitoral (CTE) tenham sido ignoradas ou rejeitadas.

"Mais de 70% das propostas da CTE foram acolhidas para as Eleições 2022. De 44 sugestões, 32 foram acolhidas, 11 ainda serão estudadas para o novo ciclo eleitoral (2023-2024) e apenas uma foi rejeitada", disse o TSE.

Sobre alegação repetida pelo presidente aos embaixadores de que urnas teriam completo automaticamente votos para presidente na eleição de 2018, o TSE disse que um vídeo que circula na internet com essa alegação é editado.

"Avaliação de peritos em edição comprova que o vídeo é falso. Verificam-se cortes no filme, que confirmam que houve montagem. Além disso, no momento em que o primeiro número é apertado, o teclado da urna não aparece por completo, o que sugere que outra pessoa teria digitado o restante do voto. É possível, ainda, constatar, no programa de edição, o ruído de dois cliques simultâneos, o que reforça essa tese", disse.

Bolsonaro reuniu embaixadores e representantes diplomáticos no Brasil para repetir, agora para um público externo, seus ataques sem provas e já refutados às urnas eletrônicas e ao sistema de votação brasileiro a menos de três meses das eleições.

O evento de 45 minutos de duração ocorreu no Palácio da Alvorada, com transmissão pela emissora pública TV Brasil.

O presidente tem repetido esses ataques desde 2020, mas até hoje não apresentou quaisquer provas das acusações que faz. Ao contrário, ele mesmo repetiu mais de uma vez que não tem provas. Ainda assim, mantém que há riscos de fraude.

Nenhuma eleição realizada no país desde o início do uso das urnas eletrônicas foi questionada ou houve qualquer indício sério de fraudes. No entanto, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais, Bolsonaro vem questionando a seguranças das urnas, provocando dúvidas em parte da população e incitando reações no caso de resultados que ele não concorde.

Em nota, o Palácio do Planalto procurou suavizar o tom de Bolsonaro aos embaixadores, afirmando que o presidente recebeu os diplomatas para "intercâmbio de ideias sobre o processo eleitoral em curso" no Brasil e lembrando que sua própria carreira política é um resultado do sistema democrático.

"O senhor presidente da República sublinhou aos titulares e representantes diplomáticos presentes seu desejo de aprimorar os padrões de transparência e segurança do processo eleitoral brasileiro", afirma a nota.

(Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, em Brasília)

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