TSE trata sugestões das Forças Armadas como 'opiniões' e nega 'sala escura' de apuração dos votos

BRASÍLIA - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta segunda-feira as respostas a questionamentos feitos pelas Forças Armadas a respeito das urnas eletrônicas. Entre outros pontos, o TSE disse que a centralização dos equipamentos para a apuração no prédio do tribunal foi uma decisão tomada por sugestão da Polícia Federal (PF) para aumentar a segurança do processo eleitoral. Mesmo assim, é possível apurações paralelas, como por meio dos boletins de urna gerado por cada equipamento de votação.

"Não há, pois, com o devido respeito, 'sala escura' de apuração. Os votos digitados na urna eletrônica são votos automaticamente computados e podem ser contabilizados em qualquer lugar, inclusive, em todos os pontos do Brasil", diz trecho do documento do TSE.

As Forças Armadas foram convidadas no ano passado pelo então presidente do TSE, o ministro Luís Roberto Barroso, para participar da Comissão de Transparência das Eleições (CTE). Foi uma forma de aplacar os ataques sem provas feitos pelo presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas.

Além das respostas técnicas, foi divulgado o ofício do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Edson Fachin, encaminhado ao Ministério da Defesa. Fachin disse que o prazo para apresentação das contribuições se encerrou em 17 de dezembro de 2021, e que as sugestões das Forças Armadas foram enviadas em 22 de março de 2022.

"Não obstante, a fim de prestigiar o diálogo no âmbito da Comissão, mesmo as observações recebidas após o prazo assinalado têm recebido a devida atenção por parte do corpo técnico desta Corte", destacou Fachin.

O presidente do TSE disse ainda que "a Justiça Eleitoral tem historicamente assegurado a realização de eleições íntegras em nosso país".

"O êxito e a credibilidade conquistados pela instituição nesta tarefa maior de promoção da democracia firmam esta Justiça especializada como verdadeiro patrimônio imaterial da sociedade brasileira. Ciente e cumpridor do seu papel constitucional ao longo dos últimos 90 anos, este Tribunal manterá a sua firme atuação voltada a garantir paz e segurança nas eleições, a aprimorar o processo eleitoral, a propagar informações de qualidade e, acima de tudo, a exortar o respeito ao resultado das eleições como condição de possibilidade do Estado de Direito Democrático e de uma sociedade livre, justa e solidária, nos termos da Constituição da República Federativa do Brasil", escreveu o ministro.

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