Tucanos históricos reagem a falas de Bolsonaro: 'Continua sendo o golpista que é'

Representantes históricos do PSDB criticaram as declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a convenção do PL neste domingo e afirmaram que a sociedade precisa estar vigilante para defender a democracia. Dirigentes nacionais da sigla e outras lideranças como o ex-governador de São Paulo João Doria preferiram não se manifestar.

O ex-senador Aloysio Nunes (SP) lamentou os ataques de Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e as urnas eletrônicas. Ele ainda pregou união das forças democráticas dos mais diversos espectros políticos para derrotar o presidente nas eleições de outubro. Amigo do ex-ministro José Dirceu e de outros petistas, Nunes contrariou a executiva nacional e declarou apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já no primeiro turno das eleições. O PSDB fechou uma aliança para apoiar a pré-candidatura presidencial da senadora Simone Tebet (MDB-MS).

— Estamos chegando a uma situação em que é preciso de uma aglutinação enorme das forças políticas para defender a democracia. Temos que evitar esse descalabro — disse o ex-senador, em referência a uma eventual tentativa de golpe.

Ex-chanceler, o senador afirma que o presidente tem cometido crimes durante o exercício do mandato. Ele se referiu a um encontro de Bolsonaro com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada na segunda-feira, quando o mandatário desacreditou as urnas eletrônicas e atacou os ministros do Supremo Tribunal Federal.

— Ele (Bolsonaro) está indo num caminho muito seguro, constante e acumulando um passivo enorme para ir para cadeia quando terminar o mandato — disse Nunes.

Outro fundador do PSDB, o ex-deputado José Aníbal também pregou união pela democracia e alertou para a radicalização do discurso do presidente neste domingo. Para Aníbal, o ponto de inflexão foi a convocação para novos atos pró-governo no dia 7 de setembro. Ainda assim, o ex-deputado avalia que a resistência da sociedade a Bolsonaro cresceu nos últimos meses.

— O importante agora é adensar as movimentações de defesa da democracia e das urnas, que agora têm inclusive apoio externo de outras potências ocidentais. Ele (Bolsonaro) continua sendo o golpista que é. Se exacerba e se radicaliza à medida que vê as reações da sociedade contra ele em diversos segmentos. Está mais agitado porque não avança nas pesquisas — disse Aníbal.

Embora o PSDB tenha aprovado uma resolução interna para ser oposição a Bolsonaro na Câmara dos Deputados, a maioria de sua bancada se alinhou ao presidente ao longo desta legislatura. Alguns pré-candidatos da sigla aos governos estaduais inclusive apoiam Bolsonaro. Eduardo Riedel, que é pré-candidato ao governo do Mato Grosso do Sul, já declarou que o seu palanque naquele estado será do presidente.

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