Tucanos recebem mais doações de pessoas físicas que PT e MDB somados

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em uma eleição bancada principalmente com dinheiro público, os candidatos do PSDB lideram a arrecadação de pessoas físicas. Neste quesito, eles superam os candidatos do PT e MDB somados. Preferidos do empresariado, os tucanos arrecadaram R$ 44,2 milhões, seguidos pelo DEM, com R$ 22,7 milhões. MDB e PT vêm atrás, com R$ 21,1 milhões e R$ 19 milhões, respectivamente. A conta não inclui autodoações, critério liderado pelo MDB graças ao presidenciável Henrique Meirelles —que fez doação de R$ 45 milhões a si mesmo, tornando-se o maior doador eleitoral desde 2002. O candidato que mais arrecadou de pessoas físicas é o o senador Antonio Anastasia (PSDB), que lidera a corrida pelo governo de Minas Gerais. Ele conseguiu ao menos R$ 4,1 milhões, segundo levantamento feito nesta semana. A família do segundo suplente de seu mandato como senador, o empresário Lael Varella, doou quase R$ 1 milhão para a campanha de Anastasia. Além do próprio suplente, as doações vieram de três filhos, incluindo o deputado Misael Varella (PSD), e da mulher do suplente. Anastasia também recebeu R$ 300 mil de Maria Fernanda Nazareth Menin Maia, da MRV Engenharia. O segundo tucano com mais doações de pessoas físicas é João Doria, candidato ao governo paulista. Ele também foi contemplado com várias doações ligadas a empresários conhecidos, entre eles R$ 250 mil de Abilio Diniz, do grupo Pão de Açúcar. Parte importante das doações de pessoas físicas a Doria vem de pessoas da família Salomone, do grupo Savoy, que está entre os maiores proprietários de imóveis da capital paulista. Eles doaram R$ 800 mil. "A participação e a doação por pessoa física mostram que a sociedade acredita nas nossas propostas de governo, na força do nosso partido e na competitividade dos nossos candidatos", afirmou o tesoureiro do partido, Silvio Torres, por meio de nota. Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV, o valor arrecadado reflete a proximidade do PSDB com o empresariado. "Em Minas, o Anastasia tem muita probabilidade de voltar, isso também atrai doadores". Alavancado por Jair Bolsonaro, o nanico PSL aparece entre os dez partidos com mais doações nas três categorias: vaquinhas (4º lugar), autodoações (8º) e doações de pessoas físicas (10º). O militar é o candidato que, isoladamente, lidera as vaquinhas, com mais de R$ 900 mil arrecadados. Os recursos de pessoas físicas representam por volta de 10% do total de recursos dos partidos, percentual parecido com o das autodoações. A maior parte do dinheiro vem mesmo do bilionário fundo eleitoral e verba partidária. Já as vaquinhas não atingem nem 1% do total dos recursos, mas sinalizam uma militância ativa. Nesse quesito, o partido que lidera é o Novo, com R$ 1,6 milhões, quase embolado com PT e PSOL. Daniel Guido, coordenador de mídias digitais do presidenciável João Amoêdo (Novo), diz que a proposta do partido é criar uma cultura em que os militantes doem, uma vez que a legenda não utiliza dinheiro público. "Sempre foi um projeto da sociedade para trazer pessoas de fora da política para dentro", diz. Pelos dados do TSE, Amoêdo superou os R$ 466 mil com as vaquinhas —o partido diz, porém, que o valor no TSE está defasado e já beira os R$ 600 mil. "Do total, 67% das doações foram abaixo de 50 reais, em 720 cidades do país", diz Guido. O cientista político Marco Antonio Teixeira afirma que os partidos com grandes doações em vaquinhas são os mais ideológicos. "Os doadores acreditam nas propostas desses dois partidos. Se identificam com elas e querem ajudar financeiramente", diz. Meirelles lidera a lista de autodoações —nesse ranking, ele doou R$ 2 de cada R$ 10. Atrás, aparece Carlos Amastha (PSB), candidato ao governo do Tocantins pelo PSB. Empresário, ele é colombiano naturalizado brasileiro.