Tudo mais caro: entenda por que o preço do óleo subiu

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Segundo o IPC, da Fipe, o oleo de soja foi um dos itens que mais subiu na cesta basica na capital paulista; em 12 meses, a alta e de 90 por cento. Geral interna do supermercado Carrefour em Santo Andre. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
Segundo o IPC, da Fipe, o oleo de soja foi um dos itens que mais subiu na cesta basica na capital paulista; em 12 meses, a alta e de 90 por cento. Geral interna do supermercado Carrefour em Santo Andre. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
  • Dados do IPCA mostram que, em 18 meses, a inflação acumulada do produto foi de 64,8%;

  • Levantamento feito pelo Procon-SP mostrou que o preço 90,66% em um ano;

  • Um dos fatores mais preponderantes nessa alta é a valorização do dólar.

Produto essencial na cozinha brasileiro, o óleo de soja ainda é recordista na lista do supermercado. Segundo levantamento do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), de janeiro de 2020 a julho de 2021, a inflação acumulada do produto foi de 64,8%. Uma garrafa de 900 ml hoje chega a custar quase R$ 10 nas prateleiras.

Em maio, um levantamento feito pelo Procon-SP em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas) mostrou que o preço do óleo de soja subiu 90,66% em um ano. Enquanto em maio de 2020, o preço da embalagem de 900ml era de R$ 3,96, em maio de 2021 o valor de venda chegou a R$ 7,55 em média.

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No caso do óleo vegetal, cuja matéria prima - o milho - é classificada como uma commodity, o produto de baixo valor agregado é utilizado como matéria prima para produzir outras mercadorias pela indústria. "O interesse de mandar pra fora do país é maior, pois o dólar está alto. A soja é a base de uma dezena de produtos, e sobra pouco para se fazer o óleo, o que leva a um aumento de preço", explica Marco Quintarelli, especialista em varejo.

Apenas no último ano, o preço do milho subiu 74%, conforme dados apurados pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).

Outros insumos também sofreram reajuste. O açúcar ficou 58% mais caro, a soja inflacionou em 37% e o leite passou a custar 21% mais. Entre agosto de 2020 e agosto de 2021, o produto que sofreu menores variações foi o cacau, que registrou uma alta de 18%.

Um dos fatores mais preponderantes nessa alta é a valorização do dólar. Em agosto de 2019, o dólar valia R$ 4,02; em 2021, chegou a R$ 5,43. Essa desvalorização do real fez os preços de produtos como soja, milho, carnes, que são cotados internacionalmente em dólar, subissem mais. Além disso, tornou o produto brasileiro mais competitivo no mercado externo, fazendo a produção ser dirigida para o exterior.

Comparação com agosto de 2020 beira os 70% no aumento

A comparação deste ano com o ano passado também não é animadora. Com base nos dados de agosto de 2020, o salto nos preços dos itens básicos para os paulistanos, por exemplo, foi de 21,18%. O produto que teve o maior aumento de preço nesse período foi o óleo de soja (900 ml), com alta de 69,91%. O açúcar vem logo atrás (52,20%), seguido pelo frango (43,17%), também presente na lista de produtos que mais subiram em agosto.

Já com relação a 2021, o aumento foi de 6,86% até agora, com base dos dados de dezembro passado.