Tudo o que você precisa saber sobre a vacinação contra a Covid-19 de crianças menores de 5 anos

Nesta semana, os Estados Unidos deram início à vacinação contra a Covid-19 de bebês a partir de seis meses de idade depois que as autoridades de saúde do país deram o aval para os imunizantes da Pfizer/BioNTech e da Moderna destinados à faixa etária. Trata-se do primeiro país a incluir os pequenos na campanha de vacinação, em movimento que pode chegar em breve ao Brasil.

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Especialistas ressaltam a importância de se estender o público-alvo elegível para ser imunizado, uma vez que os mais pequenos também são suscetíveis a formas graves da doença, além de sequelas como a Covid longa e a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, uma consequência que, embora rara, afeta crianças e adolescentes.

— Crianças e adolescentes morrem pela Covid-19 e têm números altíssimos de hospitalização. Achar que isso não é grave não é verdade. A Covid mata hoje mais crianças que meningite meningocócica, por exemplo, que é uma doença temida por todos. E esses grupos que não têm vacina ainda são os de maior risco hoje por conta da suscetibilidade, já que os demais já estão imunizados — alerta a médica pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai.

Entenda em cinco pontos tudo o que você precisa saber sobre a vacinação infantil e quando a faixa etária deve ser ampliada no Brasil.

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Quando as vacinas para menores de 5 anos vão chegar ao Brasil?

Por enquanto, o único país a ter o aval solicitado pela Pfizer para ampliar a faixa etária da vacinação para maiores de seis meses foi os Estados Unidos. Porém, a farmacêutica afirmou, em nota, que agora começará o “trabalho para uma futura submissão dos dados para outras agências regulatórias do mundo, incluindo a Anvisa”.

Além do imunizante da Pfizer, há hoje um pedido do Instituto Butantan em análise pela agência brasileira para estender a faixa etária elegível para receber a vacina CoronaVac para crianças a partir de 3 anos, realidade de países como Chile, China e Colômbia. No início do mês, a Anvisa realizou uma reunião com especialistas externos para que fossem avaliados os dados apresentados pelo Butantan.

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No encontro, estiveram presentes representantes da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Em nota, a Anvisa informou que já recebeu parte dos pareceres das sociedades médicas sobre a ampliação da faixa etária da vacina, documento que deve auxiliar a agência na decisão, e que eles já estão em análise. Agora, “aguarda os demais para continuidade do processo”. Hoje, a CoronaVac é autorizada de 6 a 11 anos.

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As vacinas funcionam para os menores de 5 anos?

Sim. De acordo com a Pfizer, as três doses da vacina tiveram uma eficácia preliminar de 80% na prevenção da infecção por Covid-19 entre crianças de 6 meses a 4 anos. Porém, como essa estimativa foi baseada em um número pequeno de casos, a farmacêutica vai monitorar por mais tempo para definir a proteção real. Além disso, o estudo, que incluiu 1.678 crianças, mostrou que o imunizante é seguro e induz uma resposta imune contra o vírus causador da Covid-19 semelhante às idades mais avançadas.

Já em relação à CoronaVac, dados de vida real de mais de 516.250 crianças entre 3 e 5 anos, de um estudo conduzido no Chile durante a onda da variante Ômicron, mostram que a vacina ofereceu uma proteção de cerca de 65% contra hospitalização e 38% contra infecção pela Covid-19, além de garantir a segurança do imunizante neste público.

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As vacinas são iguais às de adultos?

No caso da Pfizer, a dosagem da formulação utilizada hoje no Brasil para crianças de 5 a 11 anos já é menor que a utilizada em adultos. A nova, para bebês a partir de seis meses, é menor ainda, um décimo daquela usada para os mais velhos.

Além disso, é aplicada inicialmente já em três doses – as duas primeiras sendo espaçadas em três semanas e a terceira administrada pelo menos oito semanas depois. No caso da CoronaVac, a aplicação é a mesma que a dos mais velhos.

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Em ambas as vacinas, as dosagens foram bem toleradas pelas crianças que participaram dos estudos clínicos e demonstraram um alto perfil de segurança, destaca o médico infectologista Leonardo Weissmann, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

— As vacinas foram testadas em um número grande de crianças e se mostraram seguras e com proteção tão alta quanto em indivíduos mais velhos. Os pais devem levar seus filhos menores de 5 anos para vacinação assim que for liberado — orienta o especialista.

Quais são os efeitos colaterais das vacinas em crianças pequenas?

Os dados até agora sugerem que os efeitos colaterais em crianças mais novas são mais leves ainda do que nas mais velhas. Entre as crianças com menos de 5 anos, os efeitos foram do tipo esperado após receber uma vacina, como aumento da agitação, sonolência e dor no local da injeção.

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Além disso, no caso da Pfizer, nenhuma criança nos testes desenvolveu a miocardite, uma forma de inflamação do coração que foi observada em um pequeno número de crianças mais velhas e adolescentes. Ainda assim, mesmo nessas faixas etárias superiores, o problema é extremamente raro de ocorrer, não se desdobrou para quadros mais graves e não compromete o custo-benefício da vacina, explica Isabella Ballalai.

— Os casos de miocardite pelas vacinas são extremamente raros e 16 vezes menores do que aqueles causados pela infecção da Covid-19. E todos os pouquíssimos casos constatados não deixaram sequelas. Além disso, nas crianças pequenas, não foi observada praticamente nenhuma ocorrência de miocardite, portanto não há motivo para medo — afirma a vice-presidente da SBIm.

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É verdade que o Covid-19 é tem menos riscos para as crianças do que para os mais velhos, porém ainda assim é uma das 10 principais causas de morte em crianças de 4 anos ou menos nos Estados Unidos, segundo a presidente do comitê de doenças infecciosas da Academia Americana de Pediatria, Yvonne Maldonado.

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No Brasil, segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, foram 291 óbitos decorrentes da Covid-19 em crianças de até 5 anos apenas em 2022. Desde o início da pandemia, o número ultrapassa 1.400 mortes. Especialistas explicam que o principal benefício da vacina é evitar esses desdobramentos graves, que não são restritos ao óbito.

— Há também riscos como a síndrome inflamatória multissistêmica após a infecção aguda, que pode afetar diversos órgãos do corpo, e a Covid longa, sintomas persistentes da doença, como cansaço, dor de cabeça, tontura, alteração do sono, dores musculares e articulares, problemas respiratórios, causando efeitos indiretos na saúde mental e educação das crianças — explica o infectologista Weissmann.

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A síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P), é uma condição rara que afeta os vasos sanguíneos de crianças e adolescentes após a infecção pelo vírus causador da Covid-19, o Sars-CoV-2. O quadro pode ser grave: segundo dados do Ministério da Saúde, foram 1.781 confirmações no país desde o início da pandemia em que 117 evoluíram para óbito. Por isso, Isabella, da SBIm, alerta os pais para a importância de vacinar os mais novos.

— Existe essa ideia de “agora a Covid-19 é uma gripe”, mas não é assim. A gente vive um aumento da doença e as escolas estão cheias de casos. E hoje muitos não entendem o perigo da doença, deixam de vacinar seus filhos e não incentivam o uso da máscara, o que deixa nós pediatras muito preocupados — afirma a vice-presidente da sociedade.

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