Tufão Nanmadol: tempestade provoca evacuação em massa no Japão

Um homem pedala em meio a chuva torrencial e ventos na cidade de Miyazaki depois que o tufão Nanmadol atingiu o Japão
Homem pedala em meio a chuva torrencial na cidade de Miyazaki depois que o tufão Nanmadol atingiu o Japão

Um dos maiores tufões já registrado no Japão atingiu a ilha de Kyushu, no sul do país.

O tufão Nanmadol trouxe ventos de pelo menos 180 km/h, e algumas áreas podem ter 500 mm de chuva no domingo (18/9) e na segunda-feira (19/9).

Pelo menos 4 milhões de pessoas foram orientadas a evacuar suas casas.

São esperadas extensas inundações e deslizamentos de terra, enquanto os serviços de trem-bala, balsas e centenas de voos foram cancelados.

O tufão atingiu a costa perto da cidade de Kagoshima, no extremo sul de Kyushu, na manhã de domingo.

Kyushu é a mais meridional das quatro ilhas que compõem o arquipélago principal do Japão e tem uma população de mais de 13 milhões de pessoas.

As autoridades emitiram um "alerta especial" para a ilha, o primeiro fora da Província de Okinawa, que consiste nas ilhas japonesas menores e mais remotas no Mar da China Oriental, informa o Japan Times.

A Agência Meteorológica do Japão disse que Nanmadol traria chuvas torrenciais, tempestades ao longo da costa e ventos tão fortes que havia o risco de as casas desabarem.

Um funcionário da cidade de Izumi disse que as condições na tarde de domingo estavam se deteriorando rapidamente.

"O vento tornou-se extremamente forte. A chuva também está caindo forte", disse ele à AFP. "Está totalmente branco do lado de fora. A visibilidade é quase zero."

O tufão agora está se movendo para o norte através de Kyushu, com grandes quantidades de chuva no centro montanhoso da ilha.

Espera-se que ele passe pelo centro do Japão em direção a Tóquio nos próximos dias e mantenha grande parte de sua força enquanto se move.

A maior ameaça à vida e à propriedade é a chuva, que já está causando a elevação dos rios e pode desencadear deslizamentos de terra e lama. As pessoas em Kyushu foram instruídas a procurar refúgio em abrigos, mas os avisos de evacuação não são obrigatórios, e as autoridades lutaram no passado para convencer as pessoas a se mudarem para abrigos antes de eventos climáticos extremos.

Na noite de domingo, as empresas de serviços públicos disseram que quase 200 mil casas estavam sem energia.

Em um comunicado, o primeiro-ministro Fumio Kishida disse às pessoas que "evacuem sem hesitação se se sentirem em perigo de alguma forma".

"Peço [a todos] que evitem se aproximar de lugares que representem perigos potenciais, como rios e outros cursos d'água ou locais com risco de deslizamentos de terra", disse ele.

"É extremamente perigoso evacuar à noite. Peço ao público que evacue para um local seguro antes do anoitecer."

Nanmadol é o 14º tufão do Pacífico nesta temporada e, de longe, o maior a atingir o Japão.

Falando no sábado (17/9), um funcionário da agência meteorológica do Japão disse que tinha potencial para ser pior do que o tufão Jebi em 2018, que deixou 14 pessoas mortas, e o tufão Hagibis, que causou cortes generalizados de energia em 2019.

O país está bem preparado para lidar com essas tempestades, mas os cientistas dizem que as mudanças climáticas as estão tornando maiores e mais destrutivas.

- Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62943521

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