Tulum, o paraíso mexicano das festas sem regras sanitárias

Alejandro CASTRO
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Dois turistas são fotografados perto de uma praia em Tulum, no estado mexicano de Quintana Roo, em 9 de março de 2021

Festivais de música eletrônica, festas clandestinas, discotecas onde não se usam máscaras. Tulum e outros destinos no Caribe mexicano se tornaram um paraíso para os turistas que desprezam os riscos da covid-19.

Conhecida por suas águas cristalinas e seu conceito "hippie", a pequena Tulum era frequentada antes da pandemia por viajantes que buscavam relaxamento e contato com a natureza.

Mas há projetos para torná-la uma das maiores referências em festivais de música eletrônica no México, o terceiro país mais atingido pela pandemia, com 196.000 mortes.

“O coronavírus é bobagem, a vida tem que continuar, não dá nada”, disse Greta, uma espanhola que compareceu a uma 'rave' em dezembro.

Para outros, as festas são motivo de preocupação e a cidade de 46 mil habitantes é alvo de críticas por suas medidas sanitárias negligentes.

O movimento aumentou a partir do final de 2020, quando foram realizados encontros de música e arte, em alguns casos, com mais de mil participantes.

Nas últimas duas semanas, foram organizadas 21 festas privadas, descobertas pela AFP em grupos que as promovem no WhatsApp.

Ao contrário de outros países, o México não restringiu o turismo e foi o terceiro mais visitado em 2020.

Em destinos como Cancún, a vital indústria hoteleira ainda oferece descontos para a quarentena se os hóspedes forem infectados.

- Segue o baile -

Após o contágio de cinquenta participantes do festival Art With Me em novembro, do qual participaram até autoridades, o Zamna Festival, evento de música eletrônica de 16 dias que aconteceria entre dezembro e janeiro, foi cancelado.

A festa foi remarcada para abril, com anúncios de djs renomados como o alemães Boris Brejcha e Claptone e os ingleses Nick Warren e Damian Lazarus.

A organização explica em seu site que é necessário usar máscara durante o evento.

Quintana Roo, estado onde estão Tulum, Cancún e Riviera Maia, está em um alerta amarelo, a segunda fase de uma escala de risco em quatro níveis.

Neste estado, onde se prevê a chegada de centenas de milhares de visitantes na época da Páscoa, os bares e discotecas continuam fechados e os eventos em massa estão proibidos.

No entanto, grandes festas continuam a ser realizadas clandestinamente, afirma o setor hoteleiro, insatisfeito com as multidões. David Ortiz, presidente da Associação de Hotéis de Tulum, afirmou que esses eventos "mancham" a imagem do lugar.

O empresário disse que já foi assinado um acordo com a câmara municipal e que será apresentada ao parlamento local uma "iniciativa de cidadania" para endurecer as sanções a quem descumprir as restrições.

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