Tumultos e confrontos em novos protestos pela prisão de um rapper na Espanha

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Manifestação contra a detenção do rapper Pablo Hasél em Barcelona

Tumultos e confrontos com a polícia foram registrados em novos protestos na noite desta quarta-feira (17) em Madri e Barcelona contra a polêmica prisão de um rapper, informaram jornalistas da AFP.

Na capital espanhola, centenas de pessoas se reuniram no centro da Puerta del Sol, fortemente vigiada pelas forças de segurança, com faixas dizendo "Chega de censura" e pedindo "Liberdade" para o rapper Pablo Hasél.

Em dado momento, manifestantes mascarados jogaram garrafas na tropa de choque, que por sua vez respondeu aos ataques.

Em Barcelona, onde os protestos da noite de terça-feira levaram a fortes confrontos com a polícia, tumultos foram registrados novamente, com pessoas jogando objetos nos policiais e barricando-os com lixeiras incendiadas.

As altercações, que duraram várias horas, deixaram 14 detidos e nove levemente feridos, de acordo com a polícia e fontes de emergência.

“Os violentos e os que não aceitam as regras não têm lugar na nossa sociedade. Condeno veementemente a violência”, tuitou o prefeito de Madrid, o conservador José Luis Martínez-Almeida.

Em Barcelona, onde os protestos da noite de terça-feira levaram a fortes confrontos com a polícia, as altercações foram registradas novamente, com pessoas jogando objetos nos policiais e barricando-os com lixeiras incendiadas.

A polícia catalã, Mossos d'Esquadra, respondeu disparando balas de borracha para dispersar os manifestantes.

Protestos violentos também foram registrados em Létida, a cidade natal do rapper, Gerona e Tarragona, informou o Mossos d'Esquadra no Twitter.

No total, 29 pessoas foram presas, indicaram os Mossos.

Na noite de terça-feira, protestos violentos em Barcelona e outras cidades catalãs deixaram pelo menos 15 pessoas detidos e mais de 30 feridos, incluindo 19 policiais, de acordo com as autoridades locais.

Hasél foi detido terça-feira em uma universidade em Lérida, onde se refugiou com simpatizantes para evitar a prisão.

O rapper iniciou o cumprimento da pena de nove meses de prisão por tweets contra a monarquia e as forças de segurança.

Seu caso gerou um forte debate sobre a liberdade de expressão na Espanha.

O caso provocou incômodo na coalizão de governo de esquerda, liderada pelo primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, que se comprometeu a revisar o Código Penal para que este tipo de delito não seja punido com penas de prisão.

O partido de esquerda radical Podemos anunciou que solicitará um indulto para o rapper, que recebeu o apoio de celebridades do país como o cineasta Pedro Almodóvar, o ator Javier Bardem e o cantor Joan Manuel Serrat.

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