Turbulência é o estado normal da política haitiana, diz Heleno sobre assassinato de presidente

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 16.12.2020 - O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 16.12.2020 - O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após a morte do presidente do Haiti, Jovenel Moïse, 53, o general brasileiro Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), disse nesta quarta-feira (7) que a turbulência é o estado normal da política do país.

"Isso é muito desagradável. Mais um fato na história do Haiti, que é uma história muito conturbada desde a independência", disse Heleno, que, em 2004, foi o primeiro comandante da missão da ONU (Organização das Nações Unidas) para pacificação do país, a Minustah.

O general da reserva concedeu entrevista à Rádio Bandeirantes na manhã desta quarta para tratar do assassinato de Moïse, morto a tiros por um grupo de agressores não identificados em sua residência privada durante a madrugada, segundo comunicado do primeiro-ministro interino, Claude Joseph.

"Já foi a quinta missão de paz em virtude da eterna turbulência, que praticamente é o estado normal da política haitiana", disse Heleno.

Sem dar mais detalhes, Joseph informou ainda que parte dos invasores falava espanhol, o que indicaria que eles não são haitianos --os idiomas oficiais do país são o francês e o crioulo. O militar brasileiro, porém, minimizou essa questão e disse que muitas pessoas no Haiti falam mais de uma língua.

Ainda no campo da instabilidade no país, Heleno mencionou mobilizações por vacinas contra Covid-19.

"Essas manifestações a favor de vacina, acredito que tenham sido bastante numerosas, porque, na verdade, o Haiti é um dos poucos países do mundo que não vacinou."

O primeiro-ministro interino do Haiti fez um apelo à comunidade internacional para que investigue o assassinato do presidente e à Organização das Nações Unidas (ONU) para que convoque uma reunião do Conselho de Segurança, entidade responsável por zelar pela paz mundial.

O ataque, no entanto, ocorreu em meio a uma onda crescente de violência ligada à crise política do país. Com o Haiti profundamente polarizado e enfrentando uma crise humanitária e escassez de alimentos, há temores de uma desordem generalizada.

Nesta madrugada, houve relatos de tiros em toda a capital, Porto Príncipe. No começo da manhã, forças de segurança montaram um sistema para controlar a circulação de pessoas nas ruas. Segundo a agência de notícias Reuters, o aeroporto internacional da cidade foi fechado, e a República Dominicana ordenou o fechamento da fronteira com que divide com o país.

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