Os turbulentos anos da Venezuela de Maduro

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(Arquivo) O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas, em 26 de novembro de 2018

Protestos mortais, uma suposta tentativa de magnicídio, opositores presos, colapso econômico: a Venezuela viveu um período turbulento sob o governo de Nicolás Maduro, que, nesta quinta-feira (10), inciará um segundo mandato de seis anos, desconhecido por grande parte da comunidade internacional.

Veja a seguir os momentos-chave:

- 2013: O herdeiro -

O líder socialista Hugo Chávez, presidente desde 1999 e fundador da "revolução bolivariana", morre em decorrência de um câncer em 5 de março de 2013.

Maduro, ungido por Chávez como seu substituto, vence as presidenciais de 14 de abril com 50,62% dos votos, apenas 1,5 ponto à frente do opositor Henrique Capriles, que impugnou o escrutínio.

- 2014: O primeiro desafio -

Em 2014, liderada por Leopoldo López, a oposição realiza manifestações para exigir a saída de Maduro, com um balanço de 43 mortos.

López é detido em fevereiro deste ano e condenado em 2015 a quase 14 anos de prisão, acusado de incitar a violência. Desde agosto de 2017 está em prisão domiciliar.

Os preços do petróleo, que gerá 96% das divisas do país, caíram a menos da metade, agravando a escassez de alimentos e remédios.

- 2015: A maior derrota -

Em fevereiro de 2015, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, é preso acusado de conspirar contra Maduro. Pouco depois passar à prisão domiciliar e em 2017 foge para a Espanha.

Em março, os Estados Unidos impõem as primeira sanções contra funcionários venezuelanos, os quais acusa de violar os direitos humanos.

Em dezembro, em meio a um agravamento da crise, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) desfere ao chavismo a maior derrota eleitoral de sua história, vencendo a maioria qualificada do Parlamento.

- 2016: Choque de poderes -

Assim que a oposição assume o seu controle em janeiro, o Legislativo é declarado em desacato e suas decisões anuladas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

Durante quase todo o ano de 2016, a oposição tenta revogar o mandato de Maduro por meio de um referendo e organiza manifestações para exigi-lo.

Mas o poder eleitoral e a Justiça - de linha governista - a frearam, alegando fraude no recolhimento das assinaturas para solicitá-lo.

- 2017: Protestas e Constituinte -

O TSJ fica a cargo das atribuições do Parlamento e, em 1º de abril, explodem protestos que deixam 125 mortos em quatro meses. A procuradora-geral, Luisa Ortega, denuncia uma ruptura da ordem constitucional e meses depois deixa o país denunciando uma "perseguição".

Em 30 de julho é realizada a questionada eleição de uma Assembleia Constituinte, com poder absoluto e totalmente governista, que substitui na prática o Parlamento e é desconhecida por vários governos. Os protestos, desgastados, cessam.

Washington aprova sanções financeiras contra a Venezuela e sua petroleira, Pdvsa, declarados em moratória parcial.

O chavismo tem um ótimo resultado nas eleições de governadores de outubro e nas municipais de dezembro. A oposição denuncia fraude, embora não tenha participado das últimas.

- 2018: Reeleição -

Diante de uma oposição rachada, a Constituinte decide em janeiro adiantar as presidenciais, com Maduro como candidato.

Fracassa um diálogo entre a oposição e o governo sobre garantias eleitorais, e as autoridades fixam as eleições para 20 de maio.

A MUD decide boicotá-las acrescentando que são uma "fraude". O opositor Henri Falcón, dissidente do chavismo, se afasta e lança a sua candidatura.

Os Estados Unidos, vários países da América Latina e a União Europeia desconhecem as eleições.

Maduro é reeleito com 68% dos votos e a mais abstenção em presidenciais (52%) na história democrática venezuelana.

Enquanto isso, a vital produção petroleira cai aos níveis mais baixos em três décadas (1,4 milhão de barris por dia).

Em 4 de agosto, o presidente denuncia uma tenta de magnicídio com dois drones carregados com explosivos, que explodiram perto de onde presidia uma parada militar.

Maduro culpa o deputado opositor Julio Borges, o então presidente colombiano Juan Manuel Santos e os Estados Unidos. Vinte e cinco pessoas são detidas, entre elas o legislador Juan Requesens e dois generais.