Turcos na Europa devem ter famílias grandes, diz Erdogan

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta sexta-feira (17) a todos os turcos que vivem na Europa que formem famílias numerosas. A sugestão seria uma forma de reagir à discriminação que podem sofrer.

"Eduquem seus filhos nas melhores escolas, assegurem-se que suas famílias vivam nos melhores lugares, dirijam os melhores veículos, vivam nas melhores casas e tenham cinco filhos, não apenas três", afirmou Erdogan durante discurso em Eskisehir, ao sul de Istambul.

"É a melhor resposta ante a má educação e a hostilidade", afirmou.

Erdogan destacou as discriminações que sofrem, segundo ele, os turcos e ainda mais os muçulmanos na Europa desde o início da crise diplomática com países do continente.

No ano passado, o presidente turco, que tem quatro filhos, disse que as mulheres turcas deveriam ter pelo menos três filhos. A declaração irritou ativistas pelos direitos das mulheres.

A relação entre Ancara e os governos europeus se deteriorou nas últimas semanas, após Alemanha e Holanda proibirem autoridades da Turquia de participar de comícios em seus territórios.

A ida de autoridades da Turquia à Europa faz parte de uma campanha internacional do governo do país para estimular os cidadãos turcos que vivem no exterior a votar no plebiscito de 16 de abril.

A diáspora turca na Europa conta com pelo menos 2,5 milhões de pessoas que têm direito a votar nas eleições turcas.

REFORMA

A consulta diz respeito a uma reforma constitucional que amplia as atribuições presidenciais e que é almejada há anos por Erdogan.

Líderes europeus têm blindado as campanhas pró-Erdogan pois receiam o fortalecimento do líder turco, cujo governo conservador e islamita é marcado por uma escalada autoritária.

Após o veto às autoridades turcas, Erdogan fez vários ataques contra os governos europeus, acusando-os de incorrer em "práticas nazistas" e "terrorismo de Estado".

Na terça-feira (13), a Turquia rompeu seus laços diplomáticos com a Holanda, dias após dois ministros turcos serem proibidos de entrar no país europeu.

Em novo ataque, o ministro do Interior da Tuquia, Süleyman Soylu, disse na quinta-feira (16) que a Turquia pode "abrir a passagem para 15 mil refugiados" e deixar a União Europeia "sem fôlego".

Com a declaração, o país ameaça romper um acordo firmado em 2016 com o bloco europeu para conter o fluxo de pessoas em busca de asilo no continente.