Turista em Buenos Aires encontra passagem cara, mas estadia barata

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BUENOS AIRES, ARGENTINA - Turistas visitam o novo Paseo del Bajo, corredor de 7,1 quilômetros na Cidade Autônoma de Buenos Aires que liga as rodovias Illia e Buenos Aires-La Plata. (Foto: Mario De Fina/Folhapress)
BUENOS AIRES, ARGENTINA - Turistas visitam o novo Paseo del Bajo, corredor de 7,1 quilômetros na Cidade Autônoma de Buenos Aires que liga as rodovias Illia e Buenos Aires-La Plata. (Foto: Mario De Fina/Folhapress)

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Visitantes estrangeiros que começaram a voltar a visitar a Argentina têm se encontrado com dois cenários contrastantes: o alojamento em hotéis e em apartamentos para alugar pela internet estão bem mais baratos do que antes do início da pandemia, só que os voos estão muito mais caros.

Hoteleiros e proprietários de imóveis estão ansiosos pelo retorno dos turistas, para compensar os 18 meses em que estiveram praticamente vazios, atendendo apenas ao turismo interno. No período, não podia entrar no país quem não fosse argentino ou residente, afora poucas exceções.

A medida foi uma das impostas por decreto pelo governo local para tentar impedir a disseminação do coronavírus.

O retorno da atividade turística, embora seja desejado pela indústria local, não deve acontecer tão rápido. Por diversos motivos, tirar os aviões da garagem para reconectar o país é um processo difícil em termos de manutenção e de liberação por parte do governo. Há menos linhas interconectando o Brasil e a Argentina do que antes da pandemia, o que torna as passagens mais caras.

Além disso, o câmbio também prejudica o turista brasileiro, que viu o real desvalorizar frente ao dólar, especialmente nas últimas semanas.

Das grandes empresas que interligam os dois países, a Latam terá 26 voos semanais entre Buenos Aires e São Paulo. Antes da pandemia, eram 35. Já a Gol, que sequer esteve operando nesta rota durante a pandemia, terá 16 voos semanais entre Brasil e Argentina, a partir de 19 de dezembro. Em 2019, eram 76.

Mas quem conseguir uma passagem terá, nas próximas semanas, facilidade para escolher boas ofertas de hospedagem. Enquanto hotéis vendem estadias com até 55% de desconto, os donos de propriedades para alugar, de modo independente ou pela plataforma Airbnb, por exemplo, baixaram os preços para atrair gente.

"Eu preciso muito alugar. Durante todos esses meses, fizemos como dava para manter todos os apartamentos funcionando, até reformamos alguns. Mas Tivemos de vender dois deles para manter os demais, e se o turismo ficasse mais tempo fechado, íamos ter de vender mais", diz Marla Servini, 56, que tem seis propriedades na região de Palermo apenas com a finalidade de alugar para turistas.

Já Carmen Tejedor, 42, dona de um apartamento na Recoleta, avisa que sua oferta será só para dezembro. "Se a inflação continuar como está, terei de remarcar os preços em janeiro. A situação econômica está muito complicada para cobrar pouco".

Em geral, as ofertas de estadia barata estão concentradas em dezembro. No mês seguinte, os preços aumentam um pouco. Se a estadia é por mais de um mês, porém, costuma haver desconto de 20%.

Pela plataforma Airbnb, encontram-se apartamentos disponíveis para aluguel na segunda quinzena de dezembro entre US$ 12 e US$ 26 (de R$ 66 a R$ 144) por noite. Já em janeiro, os preços mais baixos surgem entre US$ 28 e US$ 35 (R$ 155 a R$ 195) a diária.

Quanto aos hotéis, cerca de 30% permanecem fechados de modo temporário, ou porque estão em reformas, ou porque demitiram funcionários e ainda não se recompuseram, ou porque não querem arriscar reabrir correndo o risco de fechar de novo logo.

Outros 10% fecharam as portas para sempre. Entre eles estão o Castelar, no centro de Buenos Aires, e o Sheraton de Córdoba. Cento e oitenta e um estabelecimentos estão à venda.

"No primeiro ano [da pandemia], o governo ajudou mais. No segundo, os aportes para manter o negócio vivo diminuíram. Creio que nas províncias os hotéis se mantiveram melhor, por causa do turismo interno, mas os de Buenos Aires sofreram muito porque dependem mais dos estrangeiros", afirma Aldo Elías, vice-presidente da câmara argentina de turismo e proprietário do Hotel Presidente, próximo ao Teatro Colón.

"Eu quero esperar um pouco para ver como será a reativação para abrir o meu, porque não podemos fazer outro investimento que depois vire um prejuízo, se houver um novo repique da doença".

Durante os primeiros meses da pandemia, 40 hotéis do centro serviram de albergue para o isolamento de quem chegava do exterior, pagos pelo governo. Depois, deram lugar a doentes de Covid-19 que precisavam de isolamento. Mas esses dois usos não rendiam tanto como o funcionamento normal dos edifícios.

O objetivo da prefeitura de Buenos Aires é que até 2023 o número de turistas que visitam a cidade retorne ao patamar pré-pandemia, de 3 milhões por ano.

"Os turistas do Brasil são parte importante disso, mas também vamos estimular a vinda de estudantes e de nômades digitais, com um programa só para eles. Apostamos que uma das coisas que a pandemia deixou foi o reforço do trabalho à distância, e esse mercado deve aumentar", diz Fernando Straface, secretário geral e de Relações Internacionais de Buenos Aires.

Em 2019, o ingresso de divisas no país por conta do turismo internacional foi de US$ 6,3 bilhões. Em 2020, não chegou a 12% disso. Na indústria de turismo argentina, empregava-se 1,3 milhão de pessoas. Pelo menos 170 mil funcionários do setor perderam o emprego na pandemia.

A entrada de brasileiros na Argentina já está permitida desde outubro, quando o país reabriu para turismo dos países limítrofes. Desde esta semana, as fronteiras estão abertas também para os visitantes do resto do mundo. É preciso ter o esquema de vacinação completo há pelo menos 14 dias e um teste PCR negativo feito no país de origem 72 horas antes do voo.

Quem vier sem a vacinação, mas com o PCR, deverá fazer quarentena por sete dias, e um novo PCR ao final do período, sendo liberado se der negativo. Também é necessário responder a uma declaração juramentada antes de chegar ao país.

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