Turistas com reservas continuam entrando em Búzios, apesar de determinação para que saiam em 72 horas

Letícia Lopes
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RIO — Apesar de uma decisão da Justiça determinar que apenas moradores ou trabalhadores estão autorizados a entrar em Búzios e que hotéis e pousadas não devem receber novos hóspedes, turistas continuam acessando a cidade da Região dos Lagos normalmente. Na barreira sanitária instalada na entrada do município, quem reservou hospedagem tem acesso liberado: basta apresentar o QR Code emitido pelos estabelecimentos aos fiscais da prefeitura.

Com base no aumento de casos de Covid-19 na cidade, o juiz Raphael Baddini Queiroz Campos determinou na quarta-feira (16) que Búzios restabeleça o fechamento das atividades, com praças e praias interditadas e apenas o comércio essencial funcionando. A informação foi antecipada pela coluna de Berenice Seara, no EXTRA. A prefeitura recorreu da decisão.

Na bloqueio sanitário, uma viatura da Policia Militar e agentes da prefeitura mandam parar veículos que tenham placa de outras cidades. Quem mora em Búzios precisa apresentar um comprovante de residência, e quem trabalha no município precisa de um documento que ateste o vínculo empregatício. Mas entre os turistas, que já se encaminham para a cidade a duas semanas do réveillon, a decisão judicial determina a saída em até 72h. Apesar disso, quem tem reserva consegue entrar normalmente. Sem o código emitido por hotéis e pousadas, é preciso dar meia-volta.

— Turista não entra. Se tiver com QR Code, a reserva do hotel, pode entrar, mas tem que sair no prazo dado pela Justiça — explica um dos fiscais.

Divididos em dois carros, os sete familiares da servidora Graziela Santana, de 47 anos, já tinham percorrido mais de mil quilômetros desde o Distrito Federal quando a Justiça determinou o retorno do lockdown em Búzios. Eles estavam em Juiz de Fora, em Minas Gerais, quando souberam que não poderiam entrar na cidade, onde alugaram uma casa na plataforma Airbnb por uma semana. Resolveram arriscar. E conseguiram:

— Ficamos meio perdidos. Até procuramos hospedagem em outra cidade próxima, Arraial do Cabo ou Cabo Frio, mas a anfitriã da casa que alugamos disse para aguardamos um dia para vermos se a decisão será revogada — conta.

Questionada sobre o descumprimento das regras, a prefeitura de Búzios informou que vai "averiguar as informações para que se cumpra a ordem judicial."

Protesto: Búzios tem protesto da população e de empresários contra lockdown determinado pela Justiça

Manifestação fecha via por oito horas

A decisão judicial se baseia num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) celebrado com a Defensoria Pública em junho deste ano, e que, de acordo com o texto, não teria sido cumprido até o momento. O aumento no número de leitos de terapia intensiva, que segundo a Justiça, não ocorreu, era um dos pontos de exigência.

Entre as regras determinadas pelo magistrado, está a suspensão de eventos que gerem aglomeração, como cultos religiosos e festas, a interdição de praças e praias e a suspensão do atendimento presencial no comércio. Apenas estabelecimentos essenciais estão autorizados a funcionar. Apesar disso, no Centro de Búzios o comércio abriu normalmente nesta quinta-feira

Descontentes com a decisão, manifestantes interditaram por cerca de oito horas os dois sentidos da Estrada da Usina Velha, no Centro, que dá acesso à Praia da Ferradura. A manifestação foi pacífica, mas chegou a reunir dez viaturas da Polícia Militar, a metade delas do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (RECOM).

O grupo se reuniu por volta das 8h30 na frente do Fórum da cidade. Entre os manifestantes estavam principalmente comerciantes e trabalhadores do setor de turismo, como vendedores ambulantes, trabalhadores de hotéis e profissionais que atuam em passeios de barco. Um dos organizadores do protesto, o motorista de bugre Tiago Fiorani, de 41 anos, afirmou que, caso a decisão não seja revertida, o grupo deve voltar a se reunir, fechando os acessos da cidade.

— Com a retomada das atividades, fiz um investimento no meu bugre e agora não terei como pagar. Passei sete meses parado, tendo que contar com a ajuda de amigos e parentes. Só queremos trabalhar — afirma.