Turistas voltam a buscar Rio como destino, mas reclamam de falta de políticas públicas para desabrigados

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Após dias seguidos de tempo nublado e chuvoso, o sol, finalmente, deu as caras, fazendo a alegria de quem está na cidade para aproveitar o fim de semana. Na orla da Zona Sul, turistas aproveitam, sem ter o que reclamar das condições meteorológicas deste domingo. Uma crítica frequente, entretanto, é em relação à falta de políticas públicas para pessoas em situação de rua.

A maranhense Lorena Carneiro, de 26 anos, de São Luís, está hospedada no Leblon com o namorado Tarlyson Medeiros, de 27. Eles chegaram no sábado, dia 20, e vão ficar até domingo que vem.

— Ontem estava muito frio e chuvoso, não conseguimos fazer muita coisa, mas hoje o sol abriu, e estamos andando um pouco de bicicleta. Mais tarde, iremos ao bondinho. Viemos para o Rio porque a cidade é linda demais e porque tem muita coisa para fazer. Estou me sentindo bem segura aqui, a cada esquina, há uma viatura, mas a gente vê muito morador de rua, muita gente mesmo em situações lamentáveis. Isso é muito triste. É uma cidade muito bonita, mas muito discrepante, com muita coisa acontecendo, muito turismo, muita dinheiro entrando, mas muita gente em situação de extrema pobreza — afirma Lorena.

A catarinense Kelly Gusmão, de Itajaí, que também estava na orla do Leblon, veio para a cidade participar de uma prova de bicicleta neste domingo.

— Está ótimo este dia de sol, porque não sou daqui. Então, estou conseguindo aproveitar a praia pelo menos um dia. Estou curtindo muito. Acabei de terminar a prova, que se chama Letap. Agora, estou procurando um barzinho. O que me deixa espantada aqui é o número de pedintes na rua. Dependendo da região, até ando com tranquilidade, mas em outras, ando tensa. Rio sendo Rio nesse sentido, né? — comenta a empresária, que mora no Rio Grande do Sul.

A goiana Jéssica Vieira, de 24 anos, viria em março, mas, por conta da pandemia, só conseguiu concretizar o desejo de conhecer o Rio na quinta-feira. Ela, que está hospedada em Copacabana, fica na cidade até esta terça-feira.

— Hoje foi o melhor dia desde quando a gente chegou. Viemos agora em novembro achando que estaria sol, mas hoje foi o primeiro dia que deu pra aproveitar a praia. Antes, só chovia. Agora à tarde, vou ao Bondinho. O Rio sempre foi um lugar que quis conhecer. Minha prima já tinha vindo e me indicou, falando que era maravilhoso. A única parte que deixa a desejar na cidade é a questão da limpeza e de moradores de rua. É chocante o que a gente vê, tem muita gente dormindo e morando na rua. Em Goiânia e em qualquer lugar do Brasil tem, mas aqui eu achei demais, principalmente em Copacabana — diz a assistente administrativa.

Amante de pagode, a assistente social Carla Silva, de 35 anos, veio de Belém do Pará para a cidade pela primeira vez ao som o ritmo:

— Belém já é muito quente, mas aqui é um quente melhor, mais úmido. Minha programação se resume a pagode desde que cheguei. Eu sempre quis vir. Como uma amiga de Belém veio morar em Búzios, aproveitei para conhecer o Rio e, amanhã, vou pra lá. Desde quando a gente chegou, vi muito policiamento. Então, consigo me sentir segura. Em relação à limpeza, porém, acho que deixa um pouco a desejar, mas isso também acontece em muitas outras cidades — diz ela.

Em nota, a Secretaria municipal de Assistência Social afirma que vêm sendo empregadas políticas públicas efetivas de acolhimento às pessoas em situação de rua, para que elas possam encontrar o caminho de reinserção na sociedade. Segundo o órgão, atualmente, os abrigos têm 2.600 vagas para crianças, adolescentes, adultos e idosos e, até o ano que vem, serão criadas mais 600 vagas. A meta é chegar a 5.600 vagas em2024. De janeiro a 6 de novembro deste ano, foram feitos 8.715 acolhimentos.

Atualmente, ainda de acordo com a secretaria municipal de Assistência Social, existem 32 unidades de reinserção social para acolher pessoas em situação de rua, das redes própria e conveniada, contando centrais de recepção e abrigos, para adultos, famílias e idosos.

O Censo de População em Situação de Rua 2020, uma parceria da Secretaria municipal de Assistência Social com o Instituto Pereira Passos e a Secretaria municipal de Saúde, contabilizou 7.272 pessoas em situação de rua, sendo que 24,8% estavam em abrigos. Este ano, esta porcentagem subiu para cerca de 36%. Pela contagem de atendimentos nas ruas e nos abrigos, hoje, a estimativa é que mais 700 pessoas aproximadamente teriam ido para as ruas no último ano.

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