Maduro chama para consultas embaixador da Venezuela no Panamá

Caracas, 6 abr (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chamou para consultas o embaixador do seu país no Panamá, Jorge Durán Centeno, depois que a Administração do panamenho Juan Carlos Varela retirou seu representante em Caracas, Miguel Mejía, e pediu reciprocidade.

O vice-presidente venezuelano, Tareck El Aissami, informou através do Twitter que Maduro tomou esta decisão "em resguardo aos sagrados interesses da PÁTRIA de BOLÍVAR e do povo venezuelano".

"O GOVERNO BOLIVARIANO rejeita a inaceitável agressão do antipopular e corrupto governo do presidente Juan Carlos Varela contra o povo da Venezuela", prosseguiu Aissami em suas declarações, citadas hoje por veículos de imprensa locais.

O vice-presidente acredita que Varela, ao retirar seu diplomata em Caracas, "pretende tirar a atenção da grave decomposição moral que atravessa seu governo".

"Saiba, presidente @JC_Varela, que não poderá quebrar os laços de irmandade e amor dos povos venezuelano e panamenho. Mas ambos países verão que o senhor será julgado como o governo mais corrupto da história do Panamá", acrescentou o chavista.

Após uma longa tensão bilateral, o Panamá e a Venezuela entraram ontem em uma nova crise bilateral com a decisão do Governo de Maduro de suspender as relações econômicas com altos funcionários e empresas do país centro-americano.

A chamada revolução bolivariana presume que foram cometidos "crimes de delinquência organizada, ao amparo do que parecia ser a conveniência do governo panamenho e a opacidade do seu sistema financeiro, e com a colaboração de sujeitos nacionais panamenhos dentro e fora do país".

Mas o Governo de Varela interpretou que trata-se de "uma reação política que carece de sustento", adotada por Caracas "em represália às ações anunciadas pelo Panamá".

Na semana passada, o Panamá publicou uma lista de 55 cidadãos venezuelanos politicamente expostos, entre eles Maduro, e 16 empresas, porque supõem um "alto risco em matéria de lavagem de capitais, financiamento do terrorismo e financiamento da proliferação de armas de destruição em massa".

Assim, as autoridades panamenhas recomendaram aos diferentes operadores do sistema financeiro adotar "as políticas e procedimentos de devida diligência ampliada, reforçada" quando suspeitaram que uma transação estava relacionada com as pessoas e empresas da lista. EFE