Turquia acusa PKK curdo por atentado que deixou seis mortos em Istambul

A Turquia anunciou nesta segunda-feira (14) a detenção de uma pessoa suspeita pelo atentado que deixou seis mortos e 81 feridos no domingo em uma avenida comercial de Istambul, um crime que o governo atribuiu ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

"A pessoa que colocou a bomba foi detida. De acordo com nossas descobertas, a organização terrorista PKK é responsável", afirmou o ministro do Interior, Suleyman Soylu.

A mulher detida e acusada de ter plantado a bomba tem nacionalidade síria e reconheceu os atos, anunciou a polícia turca nesta segunda-feira.

Ela admitiu ter atuado por ordem do PKK e que recebeu orientações em Kobane, no nordeste da Síria, segundo a polícia.

A mulher foi detida ao lado de outros suspeitos em um apartamento de Kucukcekmece, nas proximidades de Istambul.

O ministro do Interior afirmou que a suspeita pretendia "fugir para a Grécia".

O ministro do Interior também anunciou que outras 21 pessoas também foram detidas.

O PKK é considerado uma organização terrorista por Turquia, Estados Unidos e União Europeia, com uma luta armada contra o governo turco desde a década de 1980.

Ancara já atribuiu outros atentados em território turco ao grupo.

A forte explosão ocorreu por volta das 16h20 locais (10h20 em Brasília) de domingo, em um momento de grande movimento na avenida Istiklal de Istambul, capital econômica da Turquia, um destino popular para muitos turistas e moradores locais.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, denunciou o "atentado vil" e prometeu que os responsáveis serão punidos.

O balanço mais recente registra seis mortos e 81 pessoas feridas, duas delas em estado gravem.

Soylu já havia declarado no domingo que a ordem do ataque veio de áreas do norte da Síria sob controle do PKK.

"Acreditamos que a ordem do ataque foi dada em Kobane", afirmou o ministro, em uma referência à cidade síria próxima da fronteira com a Turquia.

A avenida Istiklal já havia sido cenário de ataques no passado, em particular durante os anos de 2015 e 2016, quando Istambul e outras cidades como Ancara, a capital, sofreram uma série de atentados.

Reivindicados pelo grupo Estado Islâmico, os ataques mataram quase 500 pessoas e deixaram mais de 2.000 feridos.

- "Ensurdecedor" -

A polícia isolou o local para evitar que as pessoas se aproximassem e por temor de uma segunda explosão. Um enorme aparato das forças de segurança foi mobilizado e bloqueou também o acesso ao bairro e ruas adjacentes.

"Estava a uns 50-55 metros de distância, de repente ouvi um barulho de explosão. Vi três ou quatro pessoas estiradas no chão", declarou uma testemunha, Cemal Denizci, de 57 anos, à AFP.

"As pessoas correram em pânico. O barulho foi enorme. Havia fumaça preta. O barulho foi muito forte, quase ensurdecedor", acrescentou.

A explosão, que provocou chamas, foi ouvida a distância e desencadeou uma onda de pânico, segundo imagens difundidas nas redes sociais.

As imagens mostram uma grande cratera e vários corpos no chão.

No bairro vizinho de Galata, muitas lojas fecharam as portas e algumas pessoas, que chegaram correndo do local da explosão, não conseguiram conter as lágrimas nos olhos, segundo um correspondente da AFP.

- Proibido exibir imagens -

O Conselho Superior de Radiotelevisão (RTÜK, na sigla em turco) proibiu rapidamente que os meios de comunicação exibissem imagens do ataque.

O objetivo é "evitar semear o medo, o pânico e a agitação na sociedade e servir aos objetivos de organizações terroristas", justificou o diretor da comunicação presidencial e conselheiro próximo do presidente Erdogan, Farhettin Altun.

O acesso às redes sociais também sofreu restrições após o atentado, segundo a Netblocks, organização que monitora o acesso à internet.

A avenida Istiklal, de 1,4 km de extensão e que significa "Independência" em turco, fica no distrito histórico de Beyoglu. É uma das ruas exclusivas para pedestres mais famosas da cidade.

O ataque de domingo, que ocorre sete meses antes de eleições presidenciais e legislativas cruciais, gerou uma onda de condenações e manifestações de solidariedade.

"Nossos pensamentos estão com o povo da Turquia neste momento difícil", disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan, da qual a Turquia faz parte, manifestou a sua "solidariedade ao nosso aliado", assim como a Suécia, candidata à adesão à Aliança Atlântica.

A Turquia, no entanto, rejeitou as condolências dos Estados Unidos.

"Não aceitamos a mensagem de condolências da embaixada dos Estados Unidos. Rejeitamos", afirmou o ministro do Interior.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan acusa com frequência Washington de fornecer armas aos combatentes curdos no norte da Síria, considerados "terroristas" por Ancara.

Na Grécia, país com o qual a Turquia mantém relações tensas, o ministério das Relações Exteriores "condenou inequivocamente o terrorismo e expressou suas sinceras condolências ao governo e ao povo turco".

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