Merkel diz que Alemanha não participará de eventual ataque à Síria

Berlim, 12 abr (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, antecipou nesta quinta-feira que seu país "não participará" de uma eventual ação militar contra a Síria em represália pelo suposto uso de armas químicas por parte do regime do presidente Bashar al Assad.

Em entrevista coletiva em Berlin junto com o primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Loekke Rasmussen, Merkel acrescentou que o governo alemão apoiará "que se faça tudo o que for necessário para mostrar que o uso de armas químicas é inaceitável" e para que "Assad e seus aliados" entendam essa mensagem.

"A Alemanha não participará de uma eventual ação militar, e digo eventual porque não há nenhuma decisão, quero esclarecer de novo. Mas vemos e apoiamos que se faça tudo o que for necessário para mostrar que o uso de armas químicas é inaceitável", afirmou a chefe do governo alemão.

Agora, "deve-se contemplar todo o espectro de medidas", acrescentou Merkel, que disse que seu governo manteve contatos com os Estados Unidos e que ela falou pessoalmente na manhã de hoje com o presidente francês Emmanuel Macron.

Merkel acrescentou que há uma "grande unidade" entre os aliados ocidentais e uma "linha comum" de atuação nesse assunto entre Alemanha, EUA e França, mesmo que o governo alemão não venha a atuar militarmente em uma represália caso ela aconteça.

"Acredito que há grande unidade na clara rejeição ao uso de armas químicas", opinou a chanceler.

Merkel disse que "sempre" prefere abordar a resolução de conflitos através da "diplomacia", mas acrescentou que agora é preciso encarar a "enorme evidência" de que "o regime sírio utilizou armas químicas novamente".

"Há muitos indícios de que o regime sírio as utilizou de novo, como fez há cerca de um ano", disse Merkel.

Além disso, a chefe do governo alemão criticou a Rússia por ter vetado a proposta de resolução feita pelos EUA no Conselho de Segurança da ONU para que uma equipe de especialistas investigasse o suposto ataque com armas químicas na cidade de Douma, nos arredores de Damasco, a capital da Síria: "Isso não deixa a Rússia em uma boa situação".

Merkel também indicou que este último ataque com armas químicas evidencia que a eliminação do arsenal sírio que aconteceu em um esforço internacional há alguns anos "não foi total", porque o regime de Assad segue recorrendo a essas armas.

Macron assegurou hoje que dispõe de "provas" de que o regime de Assad usou armas químicas no ataque em Douma para em seguida reiterar sua intenção de atacar o país.

Além disso, o presidente francês afirmou que a intervenção deve ter como objetivo impedir que Damasco volte a fazer uso dessas armas químicas, mas não deu mais detalhes sobre a mesma.

O presidente dos EUA, Donald Trump, que vem mantendo contato diário com Macron, adiantou ontem que atacaria a Síria, mas assinalou hoje que a resposta pelo ataque quíico "poderia ocorrer muito em breve, e não de forma tão imediata".

A Rússia, o principal aliado da Síria, por sua vez pediu contenção aos EUA. EFE