Bombardeios contra festa de casamento deixa 21 mortos no Iêmen

(Atualiza números e acrescenta informações)

Sana, 23 abr (EFE).- Pelo menos 21 pessoas morreram e 57 ficaram feridas por bombardeios da coalizão árabe, capitaneada pela Arábia Saudita, contra uma festa de casamento realizada na noite de domingo na província de Haja, no extremo noroeste do país.

Fontes ligadas aos serviços médicos detalharam que ocorreram duas investidas de aviões de guerra sobre o local onde era realizada a festa, na aldeia de Al Raqqa, na região de Beni Qais, situada perto da fronteira com a Arábia Saudita, causando inclusive a morte de várias crianças.

O diretor do departamento de Saúde regional, Ayman Madkur, disse à Agência Efe que 36 crianças foram vítimas do ataque, mas não especificou o número de mortos e feridos entre os menores.

A única mulher ferida foi a noiva, cujo nome não foi divulgado e que se encontra hospitalizada em um centro médico de Beni Qais. No momento dos dois ataques não havia mais mulheres no lugar da comemoração, segundo o responsável pelo departamento de Saúde. O noivo, identificado como Bassam Jaafar, também ficou ferido e foi internado no hospital Republicano de Haja, a capital provincial.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que 45 feridos estão sendo atendidos no Hospital Republicano - apoiado pela organização na cidade de Haja -, onde estão 13 crianças. Alguns dos feridos estão em "uma situação muito crítica", declarou a coordenadora da MSF em Haja, Sally Thomas, pelo Twitter.

O noroeste do Iêmen é um dos principais redutos da milícia houthi, grupo rebelde xiita apoiado pelo Irã que enfrenta a coalizão árabe.

Os bombardeios da coalizão em casamentos e enterros, assim como contra outros alvos civis, foram ocasionais desde o início da intervenção da aliança no conflito, em março de 2015.

O ataque mais grave desse tipo aconteceu em setembro de 2015, ao causar a morte de pelo menos 131 pessoas e deixar dezenas de feridos em um bombardeio em um casamento na província de Taiz, no sudoeste do país.

A ONU responsabiliza os bombardeios da coalizão árabe - o principal apoio ao presidente Abdo Rabu Mansour Hadi - pela maioria das mortes de civis no conflito. EFE