Turquia diz que foi obrigada a intervir na Síria

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, discursa durante a abertura do Fórum Global de Refugiados, em Genebra

A Turquia foi forçada a intervir militarmente na Síria, explicou o presidente turco Recep Tayyip Erdogan nesta terça-feira no Fórum Mundial sobre Refugiados, no qual vinculou a operação lançada por Ancara à falta de ajuda internacional para gerenciar o fluxo de refugiados sírios.

"Além de não recebermos a ajuda que esperávamos da comunidade internacional, fomos forçados a nos preocupar com nossa própria proteção e lançamos operações para tirar organizações terroristas dessa área", disse Erdogan, referindo-se à ofensiva militar de outubro no nordeste da Síria.

A Turquia interveio militarmente no nordeste da Síria para expulsar combatentes curdos das Unidades de Proteção Popular (YPG), que considera "terroristas", mas que desempenharam um papel fundamental na luta contra os jihadistas do grupo Estado Islâmico.

O objetivo de Ancara era criar uma "zona de segurança" na qual restabeleceria os refugiados que hospeda em seu território.

"Precisamos eliminar a presença terrorista de uma vez por todas nesses territórios, declarar zonas de segurança, implementar programas de reintegração para refugiados", acrescentou o presidente turco na em Genebra.

"Mas ninguém parece determinado a nos ajudar", acrescentou, observando em particular a falta de apoio financeiro da União Europeia.

A Turquia abriga cerca de 3,6 milhões de refugiados sírios que deixaram a guerra em seu país, iniciada em 2011.

O presidente turco ameaça abrir as portas da Europa para esses migrantes.

Para evitar isso, Erdogan exorta os países europeus a apoiar seus projetos de repatriamento sírio no país, especificamente com apoio financeiro à construção de uma ou mais novas cidades nesta "zona de segurança".