Turquia diz ter prendido suspeito de envolvimento em explosão em Istambul

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro do Interior da Turquia, Suleyman Soylu, disse na madrugada desta segunda-feira (14), ainda noite de domingo (13) no Brasil, que uma pessoa suspeita de ter deixado uma bomba na avenida Istiklal, em Istambul, foi detida. A informação foi antecipada pela conta da agência estatal Anadolu no Twitter.

O caso, em uma das vias mais populares e movimentadas da cidade turca, deixou ao menos seis pessoas mortas e 81 feridas, duas delas em estado crítico.

A causa do incidente ainda não foi esclarecida, mas o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pouco antes de embarcar para a Indonésia para participar da cúpula do G20, disse ver indícios de terrorismo. Se essa hipótese se confirmar, este será o caso do tipo mais mortal em ao menos cinco anos no país.

"Seria errado já dizer que este é, sem dúvidas, um ataque terrorista, mas as investigações iniciais nos mostram que cheira a terrorismo. Os esforços para dominar a Turquia não atingirão seu objetivo", disse, chamando o episódio de de ataque traiçoeiro

Até aqui, nenhum grupo reivindicou a ação.

Mais cedo, à mesma Anadolu o ministro da Justiça, Bekir Bozdag, afirmou que uma mulher ficou sentada em um banco durante 40 minutos ao lado de uma bolsa e saiu poucos minutos antes de uma suposta bomba explodir, o que indicaria o uso de um explosivo com temporizador ou detonado remotamente. Essa linha de apuração aponta ainda que o artefato tinha pregos, para aumentar o impacto da explosão.

A explosão aconteceu, segundo vídeo obtido pela agência de notícias Reuters, às 16h13 pelo horário local (10h13 de Brasília), no distrito de Beyoglu. Equipes de emergência, incluindo membros da Afad, o grupo de gestão de desastres e emergências ligado ao Ministério do Interior, foram enviadas ao local em seguida.

O caso abala um setor importante da economia turca, o turismo, que tenta se recuperar dos efeitos das restrições impostas para controlar a pandemia.

Muito frequentada por moradores locais e turistas, a avenida Istiklal (Independência), com pouco menos de 2 quilômetros de extensão, fica próxima à praça Taksim, que abriga arcadas neoclássicas com uma variedade de lojas, restaurantes, confeitarias e pubs. Ali também se concentram muitos dos protestos contra o governo.

Pela via exclusiva para pedestres, que dividem espaço com uma linha de bonde, passam cerca de 3 milhões de pessoas por fim de semana. A via também abriga a maior igreja católica romana em Istambul, a St. Antoine. A explosão aconteceu em frente a uma loja de roupas.

Segundo o jornal The New York Times, o movimento neste domingo era maior porque à noite haveria uma partida de futebol nas proximidades --o jogo foi cancelado.

"Pensei que fosse uma explosão de gás", disse o corretor Serhat Sen, que passava pela região de bicicleta, ao NYT. "Se eu estivesse indo mais rápido, teria sido atingido." Outra testemunha, Cemal Denizci, contou à agência AFP que viu três ou quatro pessoas estiradas no chão. "Todos correram em pânico, o barulho foi enorme, quase ensurdecedor, e havia fumaça preta."

A polícia isolou o local, em meio ao temor de uma segunda explosão. No bairro vizinho de Galata, muitas lojas também fecharam as portas.

Em 2016, quatro turistas morreram e cerca de 36 pessoas ficaram feridas após um atentado suicida na mesma via. Aquele ano foi marcado pela alta de ataques do tipo em diferentes partes do país do Oriente Médio perpetrados por grupos radicais curdos e militantes do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) --ao menos 286 pessoas morreram.