Turquia exige que Finlândia e Suécia mudem suas leis para entrar na Otan

A Turquia disse nesta terça-feira que, para terem suas candidaturas à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aceitas, Finlândia e Suécia precisam mudar suas leis.

A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, e reforça ainda mais a ameaça turca de vetar uma ampliação histórica da aliança feita em 13 de maio.

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Na ocasião, a Turquia se opôs à adesão dos dois países, com alegações de que os países abrigam pessoas ligadas a grupos que considera terroristas, incluindo o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), e porque os dois países interromperam as suas exportações de armas para a Turquia em 2019. Os dois Estados nórdicos solicitaram a adesão à Otan após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Todos os 30 Estados-membros da Otan precisam aprovar qualquer plano de expansão da aliança por unanimidade. Caso apenas um ou dois países vetem a entrada de novos membros, isso acarretará em uma significativa instabilidade na Otan, que depende da cooperação entre seus membros.

Além da Turquia, a Croácia também questionou o ingresso de Finlândia e Suécia.

Cavusoglu disse que a Turquia, membro da Otan há sete décadas, não levantará seu veto a menos que suas exigências sejam atendidas, repetindo comentários recentes do presidente Tayyip Erdogan.

Ancara disse que a Suécia e a Finlândia devem interromper seu apoio ao PKK e a outros grupos, impedi-los de organizar quaisquer eventos em seu território, extraditar pessoas procuradas pela Turquia por acusações de terrorismo, apoiar as operações militares e antiterroristas de Ancara e suspender todas as restrições a exportações de armas.

Finlândia e Suécia buscam negociar uma solução, e outros países-membros da Otan disseram que continuam confiantes de que as contestações levantadas pela Turquia — que tem o segundo maior exército da Otan — podem ser superadas.

Cavusoglu disse que a Turquia entregou documentos às delegações finlandesa e sueca descrevendo as suas demandas durante negociações em Ancara na semana passada, e que estava aguardando sua resposta, acrescentando que espera que os aliados trabalhem para resolver as preocupações de segurança.

— Nossas exigências são impossíveis? Não. Queremos que eles parem de apoiar o terrorismo — disse Cavusoglu à agência de notícias estatal Anadolu.

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Segundo o ministro, Ancara estava ciente de que algumas de suas exigências exigem que leis sejam alteradas.

— Eles dizem assim “já que estamos longe das regiões terroristas, nossas leis são projetadas dessa maneira”. Bem, então você precisa mudá-las — disse ele. — Dizem que é permitido que a organização terrorista organize eventos e agite suas bandeiras. Então você tem que mudar sua lei.

Os Estados nórdicos disseram que condenam o terrorismo e estão abertos ao diálogo.

Cavusoglu disse que o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, está trabalhando na questão e propôs a realização de conversas em Bruxelas entre os três países, mas disse que Ancara não vê sentido antes de Estocolmo e Helsinque responderem às suas demandas por escrito.

— É preciso haver coisas concretas para discutirmos — disse ele.

Mais cedo, o diretor de comunicações de Erdogan, Fahrettin Altun, disse ao maior jornal da Finlândia, Helsingin Sanomat, que a Finlândia deve levar a sério as preocupações da Turquia.

— Eventualmente, o governo da Finlândia deve decidir o que é mais importante: aderir à Otan ou proteger esse tipo de organização — disse ele, referindo-se ao PKK e a outros grupos que Ancara considera terroristas.

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