Turquia quer manter acordo do grão; Rússia alerta para "perigos"

Doze embarcações de transporte de grão saíram esta segunda-feira da Ucrânia apesar de a Rússia ter suspendido a sua participação no acordo de exportação de grão.

Nações Unidas, Turquia e Ucrânia já estão a avançar com um novo acordo de trânsito.

Moscovo reagiu e afirma que a continuação dos transportes é "arriscada" e "perigosa".

Horas antes o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, reafirmava o empenho em manter vivo o acordo.

"Com o mecanismo conjunto que estabelecemos em Istambul, proporcionámos uma redução relativa da crise alimentar, oferecendo 9,3 milhões de toneladas de trigo ucraniano ao mundo. A Turquia continuará os esforços para encontrar uma solução para a crise alimentar mundial, como tem feito até agora, embora a Rússia esteja hesitante quanto ao acordo sobre os cereais, uma vez que as mesmas facilidades não estão previstas para si própria", declarou o Presidente turco.

O presidente ucraniano afirma que a Rússia quer continuar a usar o grão como arma de guerra e não tem qualquer intenção de se sentar à mesa das negociações.

"É claro que os parceiros estão a tentar convencer o Estado terrorista a abrandar um pouco a chantagem.
Mas será realista? (...) Até agora, os factos indicam que a liderança russa está mais interessada em aumentar a crise alimentar do que em implementar os documentos assinados. E isto, a propósito, é a resposta a todos aqueles que falam de negociações com a Rússia", disse Volodymyr Zelenskyy.

Foi em julho passado que as Nações Unidas, Turquia, Rússia e Ucrânia estabeleceram um acordo que permitiu a exportação de produtos agrícolas ucranianos e russos para os mercados mundiais.