Turquia e Rússia aumentam prazo para que extremistas deixem Idlib

Por Layal ABOU RAHAL
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Combatentes rebeldes sírios da Frente de Libertação Nacional (FLN) são vistos no distrito de Al-Rashidin, controlado pelos rebeldes, perto da província de Idlib, em 15 de outubro de 2018

Turquia e Rússia aumentaram, nesta terça-feira (16), o prazo para que os extremistas islâmicos presentes na província síria de Idlib deixem a região, argumentando que o acordo alcançado no mês passado permanece em vigor.

Na segunda-feira expirou o prazo oficial para a partida dos combatentes radicais, em particular os da Hayat Tahrir al-Sham (HTS), da futura "zona desmilitarizada" de Idlib.

Contudo, não houve nenhum movimento ou sinal de retirada, o que colocou em dúvida o acordo, cujo objetivo seria evitar uma nova ofensiva do regime sírio contra o último grande reduto insurgente no país.

"De acordo com as informações que recebemos de nossos militares, o acordo segue vigente e o Exército está satisfeito com a maneira como a Turquia trabalha", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu, também se mostrou otimista.

"Não há nenhum problema com relação à retirada de armas pesadas (prevista para 10 de outubro), e parece não haver problemas com a retirada (...) de certos grupos radicais", afirmou.

O acordo russo-turco concluído em Sochi (Rússia) em 17 de setembro prevê uma "zona desmilitarizada" para separar os territórios controlados pelo regime de Bashar al-Assad daqueles ainda ocupados por rebeldes e extremistas.

Segundo este acordo, as armas pesadas dos grupos rebeldes e extremistas deveriam ser retiradas antes de 10 de outubro, enquanto os combatentes tinham até 15 de outubro para deixar a zona de segurança.

A primeira etapa foi respeitada, mas a segunda não.

"Não observamos nenhuma retirada ou presença de patrulhas na 'zona desmilitarizada'", disse o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman, nesta terça-feira.

A "zona desmilitarizada", com entre 15 e 20 km de extensão, inclui, além dos setores de Idlib, partes das províncias vizinhas de Aleppo, Hama e Latáquia.

Em virtude do acordo, o Exército turco e a polícia militar russa deveriam monitorar essa área com patrulhas conjuntas.

Mas, até esta data, os extremistas do HTS prometeram continuar a luta. "Não abandonaremos nossas armas", advertiram no domingo, sem dizer claramente se rejeitavam o acordo entre Ancara e Moscou.

Os analistas enxergam na reação russa uma extensão "de fato" do tempo necessário para finalizar a segunda fase do acordo de Sochi. As partes já estavam cientes da dificuldade de implementar a retirada dentro do prazo inicial.

De acordo com o jornal sírio pró-regime Al-Watan, Ancara teria pedido a Moscou mais tempo para influenciar o HTS.

Na segunda-feira, o chanceler sírio, Walid al-Muallem, disse que seu país espera a reação russa à retirada dos extremistas, recordando que suas "Forças Armadas estão mobilizadas em torno de Idlib".

Os especialistas acreditam que o acordo prevê "uma margem de manobra", referindo-se ao período de retirada. O mesmo não menciona os grupos extremistas, mas os "radicais" em geral.

Quanto ao grupo HTS, parece que coexistem duas tendências, uma "moderada", que apoia o acordo, e outra que o rejeita.

De acordo com especialistas, a Turquia "não tem feito o menor esforço para afastar os extremistas de Idlib e da 'zona desmilitarizada' (...) O que questiona a sua real intenção de acabar com este refúgio da Al-Qaeda na Síria".

Os sete anos de guerra na Síria causaram mais de 360.000 mortes e milhões de deslocados e refugiados.