Turquia volta a ameaçar Suécia e Finlândia com bloqueio a ingresso na Otan

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, voltou a ameaçar nesta quinta-feira a Suécia e a Finlândia com um bloqueio à adesão dos dois países à Otan menos de 48 horas depois de um acordo entre os três países.

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Desde meados de maio, Ancara bloqueia o processo de adesão dos dois países, acusando-os de proteger combatentes curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e das Unidades de Proteção do Povo (YPG), que considera organizações terroristas.

Mas na noite de terça, os governos de Turquia, Suécia e Finlândia assinaram um memorando de entendimento abrindo o caminho dos países nórdicos à aliança. Nesta quinta, o presidente turco falou pela primeira vez desde a surpreendente assinatura do acordo e apresentou suas condições.

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— Se cumprirem com seu dever, apresentaremos (o memorando) no Parlamento para sua aprovação. Se não o fizerem, é impossível para nós enviá-lo ao Parlamento — advertiu.

Erdogan se referiu a uma "promessa feita pela Suécia" relativa à extradição de "73 terroristas". Na véspera, porém, Ancara havia mencionado ter exigido de Suécia e Finlândia a extradição de 33 "terroristas".

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— Vão devolvê-los, prometeram. Está nos documentos escritos. Vão cumprir a promessa — acrescentou sem entrar em detalhes.

Na noite desta quinta, o governo sueco lembrou que suas decisões em matéria de extradição eram submetidas a uma justiça "independente".

"Na Suécia, a lei se aplica por meio de tribunais independentes", afirmou em declaração por escrito enviada à AFP o ministro da Justiça, Morgan Johansson. "Não suecos podem ser extraditados a pedido de outros países, mas só se isto for compatível com a lei sueca e a Convenção Europeia no tema da extradição", acrescentou.

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O acordo assinado na terça-feira com a Turquia "mostra claramente que respeitaremos a convenção europeia" sobre extradição, disse o governo sueco.

O chefe de Estado turco também pediu que Finlândia e Suécia "completem suas leis" sobre a presença em seu território de membros do PKK e das YPG, que operam nas fronteiras da Turquia e no Norte do Iraque e da Síria.

— O importante é que sejam cumpridas as promessas feitas à Turquia — insistiu.

Segundo o memorando assinado na terça, a Turquia suspende o veto à adesão dos dois países nórdicos à Otan em troca de sua cooperação contra os membros dos movimentos curdos afetados.

Todos são membros do PKK, considerado uma organização terrorista por Ancara e seus aliados ocidentais, ou do movimento fundado pelo pregador Fethullah Gülen, a quem Erdogan acusa de ter instigado a tentativa de golpe de Estado de julho de 2016.

— Todos esses casos já foram solucionados na Finlândia — comentou o presidente finlandês, Sauli Niinistö.

O Ministério da Justiça finlandês informou que "não recebeu novas solicitações de extradição da Turquia nos últimos dias".

A primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, prometeu na quarta-feira "cooperar mais estreitamente com a Turquia em relação às listas de (combatentes) do PKK".

"Mas, obviamente, continuamos respeitando a lei sueca e o direito internacional", acrescentou em mensagem publicada no Instagram.

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